O cenário político mineiro começa a se definir para as próximas eleições. Após especulações sobre seus planos futuros, que incluíam desde a Presidência da República até uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o senador Rodrigo Pacheco deve, de fato, entrar na disputa pelo governo de Minas Gerais. A decisão foi tomada a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que via no parlamentar a peça-chave para montar sua base de apoio no estado.
Lula encontra seu palanque em Minas
Até então, o presidente Lula enfrentava um vácuo político em um dos estados mais importantes do país. Sem uma estrutura partidária sólida para defender seus projetos e ambições eleitorais em Minas Gerais, a movimentação de Pacheco resolve um problema estratégico para o Planalto. Em um evento ocorrido em Mariana (MG), em junho, Lula já havia dado uma pista pública de sua preferência, ao se referir ao senador como "futuro governador".
Agora, a missão do atual presidente do Senado é encontrar uma nova legenda para abrigar sua candidatura. As negociações avançam e o partido que deve receber Pacheco é o União Brasil. A mudança de sigla é um passo necessário para consolidar a chapa e construir a aliança desejada pelo comando petista.
Composição da chapa e apoio petista
A articulação em torno da candidatura de Pacheco já define os primeiros nomes que o acompanharão na corrida eleitoral. A prefeita de Contagem, Marília Campos, do PT, será a candidata ao Senado na chapa encabeçada pelo senador. A escolha reforça o caráter de aliança e o suporte direto do partido do presidente Lula ao projeto.
Além de Marília Campos para o Senado, Rodrigo Pacheco ainda tem duas decisões importantes pela frente: a escolha de um nome para vice-governador e de outro candidato para a segunda vaga no Senado Federal. Essas definições serão cruciais para ampliar a base de apoio e equilibrar as forças políticas dentro da coligação.
O caminho até a decisão
A trajetória recente de Pacheco foi marcada por incertezas sobre seu futuro político. O senador chegou a ponderar até mesmo o abandono da vida pública, após sonhar com cargos de alto escalão como a Presidência da República e uma cadeira no STF. No entanto, o chamado do presidente Lula e a oportunidade de comandar o executivo mineiro falaram mais alto, redirecionando sua carreira para o Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte.
A data de 17 de janeiro de 2026 marca o momento em que essa movimentação ganha contornos mais concretos, com a busca ativa por um partido e a formação inicial da chapa. A articulação demonstra a pressa do governo federal em organizar sua base estadual com antecedência.
A entrada de Rodrigo Pacheco na disputa pelo governo mineiro, portanto, não é apenas uma mudança nos planos de um senador. É uma jogada de xadrez político orquestrada pelo Planalto para garantir influência em um estado fundamental, resolvendo uma lacuna que preocupava a equipe de Lula. Os próximos passos, especialmente a confirmação da filiação partidária e a completa formação da chapa, definirão a solidez desse palanque.