Márcio França alerta: 'Lula não pode errar em São Paulo' nas eleições de 2026
Márcio França: 'Lula não pode errar em São Paulo' em 2026

Márcio França alerta sobre importância estratégica de São Paulo nas eleições de 2026

O ministro do Empreendedorismo e pré-candidato ao governo de São Paulo, Márcio França (PSB), concedeu uma entrevista exclusiva na qual analisa detalhadamente os desafios e estratégias para as eleições paulistas e nacionais de 2026. Governador do estado por oito meses em 2018, França busca retornar ao comando paulista, mas enfrenta nos bastidores a predileção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por outros nomes.

Preferência de Lula e composição das chapas

Márcio França reconhece que, apesar de ter sido o primeiro a se colocar como pré-candidato, o presidente Lula tem demonstrado preferência por Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT) ou Simone Tebet (MDB) para liderar a chapa em São Paulo. "Uma candidatura só é efetivada depois da convenção, em julho", pondera o ministro, mas destaca seu histórico eleitoral: "Estive nas últimas duas eleições, disputei majoritárias em São Paulo e tive quase 30 milhões de votos".

Fã de futebol, França utiliza jargões do esporte para descrever a situação política: "São Paulo tem quase 25% do eleitorado do país. É tão relevante que uma decisão equivocada pode custar muito mais do que a eleição no estado. Se fosse a final do Mundial de Clubes, o pênalti deveria ser batido pelo presidente do clube".

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Análise dos possíveis candidatos

Sobre os nomes citados por Lula, França comenta:

  • Geraldo Alckmin: "Me disse pessoalmente que não pretende concorrer mais em São Paulo"
  • Fernando Haddad: "Já foi prefeito, ministro de pastas importantes, é um homem extremamente respeitado"
  • Simone Tebet: "O desejo dela era disputar o Senado"

O ministro avalia que qualquer um dos três teria condições de vencer a eleição contra o atual governador Tarcísio de Freitas, assim como ele próprio: "Haddad agora ganharia a eleição. Simone ganharia a eleição. Se eu for candidato, também ganho a eleição".

Cenário nacional e vice-presidência

França aborda também a possibilidade de Geraldo Alckmin perder a vaga de vice na chapa de Lula, dependendo das coligações que forem feitas. "Em time que está ganhando não se mexe", afirma, mas reconhece que a vinda de um partido grande para se coligar com Lula poderia impactar essa configuração.

Sobre o PSD de Gilberto Kassab, o ministro avalia: "Não creio que tenhamos outra candidatura. Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado acabarão disputando o Senado".

Confronto com Flávio Bolsonaro

Márcio França acredita que a disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro será mais fácil do que foi o duelo contra o pai em 2022. "As posições de Flávio são mais suaves que as de Jair Bolsonaro. O problema é que ele não tem experiência no Executivo e tem menos história e menos força pessoal do que o pai".

O ministro faz uma análise comparativa: "Jair Bolsonaro é muito convicto do que fala, mesmo totalmente errado. No caso do Flávio, eu tenho um pouco de dúvida. Flávio não tem a convicção do pai e vai enfrentar um homem muito experiente".

Capital político e perspectivas eleitorais

Sobre seu próprio capital político, França afirma: "Na família de Bolsonaro eu devo ter três vezes mais votos do que tem o Tarcísio. Nas polícias de São Paulo, dificilmente eu não estarei na frente em uma eleição".

O ministro também comenta sobre o futuro do PSB e destaca o presidente do partido, João Campos: "Ele tem todas as qualidades do pai, Eduardo Campos, com quem eu convivi muitos anos. Tem a segurança ideológica do avô Miguel Arraes. É um nome que certamente estará colocado para a frente".

A entrevista revela um cenário político complexo, com múltiplas variáveis em jogo. Márcio França posiciona-se como um candidato experiente e com trânsito político, mas reconhece que a decisão final sobre a chapa paulista caberá ao presidente Lula, em uma demonstração de alinhamento com o comando nacional do campo progressista.

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