Lula se preocupa com saída de 20 ministros para eleições de outubro
Lula teme imagem de governo em fim com saída de ministros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está apreensivo com um movimento massivo de membros de seu primeiro escalão que planejam deixar o governo para concorrer nas eleições de outubro. A situação foi discutida em uma reunião ministerial realizada na residência oficial da Granja do Torto, em Brasília, no dia 20 de janeiro.

Preocupação com a imagem do governo

Segundo informações de aliados próximos, a principal preocupação de Lula é a imagem que as sucessivas trocas nas pastas ministeriais podem passar para o eleitorado. O temor é que a substituição de titulares por secretários-executivos, em muitos casos, possa sugerir a ideia de um governo em fase de decomposição ou chegando ao fim de seu ciclo, mesmo faltando tempo considerável para o término do mandato.

O cenário que se desenha é de uma significativa renovação no comando da máquina federal. Pelo menos vinte auxiliares diretos do presidente já confirmaram ou estão seriamente avaliando a possibilidade de deixar seus cargos para disputar cargos eletivos nas eleições municipais de outubro deste ano.

Impacto na gestão e sucessão

A debandada em potencial representa um desafio logístico e político para o Palácio do Planalto. A substituição de tantos ministros de uma só vez exigirá uma complexa operação de indicação e negociação política para preencher as vagas, garantindo a continuidade dos programas de governo.

Além disso, há a questão da experiência. Muitos dos secretários-executivos que assumiriam interinamente ou de forma definitiva, apesar de conhecerem as pastas, não possuem o mesmo peso político e capacidade de articulação dos ministros titulares, o que pode fragilizar a interface do governo com o Congresso Nacional e com a sociedade.

Reunião na Granja do Torto

A reunião do dia 20 de janeiro, comandada pessoalmente por Lula, teve como um de seus objetivos centrais avaliar os impactos dessa possível onda de desligamentos. O encontro serviu para o presidente ouvir seus auxiliares e tentar traçar um plano de transição que minimize os danos à administração federal.

A movimentação eleitoral é um fenômeno comum em anos de eleição municipal, mas a escala atual, com cerca de vinte ministros envolvidos, é o que causa espanto e preocupa a cúpula do governo. A situação coloca o governo Lula diante de um teste de sua capacidade de manter a governabilidade e o foco em suas metas enquanto uma parte significativa de sua equipe direta volta suas atenções para as campanhas eleitorais.