Lula revoga decisão sobre aeroporto Santos Dumont após reunião com Paes no Rio
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), realizou um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (3), em um evento que não constava na agenda oficial. O objetivo principal da reunião foi discutir a situação dos aeroportos na capital fluminense, com foco especial nas operações do aeroporto Santos Dumont e do aeroporto internacional do Galeão.
De acordo com informações divulgadas por Paes, o presidente Lula tomou a decisão de revogar uma medida que aumentava o número de passageiros no aeroporto Santos Dumont. Essa ampliação era vista pelo prefeito como uma ação prejudicial ao aeroporto do Galeão, com impactos negativos diretos no turismo local e na economia do estado.
Defesa dos interesses do Rio de Janeiro
Em uma publicação no X, antigo Twitter, Eduardo Paes expressou sua gratidão ao presidente Lula. "Contra fatos não há argumentos e os números não mentem", escreveu o prefeito. Ele destacou que as medidas adotadas por Lula no início de seu mandato permitiram uma recuperação significativa do aeroporto do Galeão, resultando em um aumento no número de turistas e negócios para o Estado do Rio.
Paes agradeceu publicamente ao presidente, afirmando: "Mais uma vez meu muito obrigado ao presidente @LulaOficial pela defesa permanente dos interesses do Rio de Janeiro!". Essa declaração reforça a importância política da decisão para a gestão municipal.
Contexto da decisão da Anac
Para a administração de Paes, a decisão da Agência Nacional de Aviação (Anac) de ampliar o número de passageiros no aeroporto Santos Dumont tinha como objetivo principal beneficiar a estatal federal Infraero. Isso porque o Santos Dumont é um dos últimos grandes aeroportos do país que ainda não foi concedido à iniciativa privada, permanecendo sob o comando direto da Infraero.
Essa iniciativa, na avaliação do prefeito, representava uma ameaça direta às medidas implementadas desde 2023 para fortalecer o aeroporto internacional do Galeão. Vale ressaltar que o Galeão terá seu leilão de concessão realizado em março de 2026, um evento aguardado com expectativa pelo mercado.
Impacto nas movimentações de passageiros
Dados da Anac referentes ao ano de 2024 mostram claramente que a movimentação de passageiros no aeroporto do Galeão, localizado na zona norte do Rio, aumentou consideravelmente após o início das restrições impostas aos voos no Santos Dumont.
Desde 2023, foi estabelecido um limite de até 6,5 milhões de passageiros por ano no aeroporto da região central. Essa medida temporária visava reduzir o inchaço do terminal e dividir a demanda com o Galeão, que fica mais distante do centro da cidade. A estratégia demonstrou resultados positivos, conforme evidenciado pelos números oficiais.
Antecedentes e desenvolvimento do caso
No final de dezembro do ano passado, também através das redes sociais, Eduardo Paes informou que havia conversado com o ministro do Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), Silvio Costa Filho. Na ocasião, ele anunciou que uma reunião estava agendada para a segunda semana de janeiro para discutir o assunto em profundidade.
Paes ressaltou na época: "Agradeço ao Presidente Lula que acompanha o assunto com a máxima atenção e sensibilidade em defesa dos interesses do Rio de Janeiro". Essa declaração prévia já indicava o envolvimento direto do presidente na questão.
Perspectivas futuras e decisões do TCU
Em junho de 2025, um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) já mencionava a possibilidade de elevação do limite de passageiros no Santos Dumont ainda naquele ano. O plano previa um aumento para cerca de 8 milhões de passageiros, seguido por 9 milhões em 2026 e 10 milhões em 2027.
O documento do TCU indicava ainda a retirada completa de qualquer teto nos anos subsequentes, dentro dos limites operacionais do terminal. A decisão de Lula de revogar a ampliação representa uma mudança significativa nesse cenário, priorizando o fortalecimento do Galeão em detrimento da expansão imediata do Santos Dumont.
A reunião entre Paes e Lula marca um momento importante na política de aviação brasileira, destacando o equilíbrio necessário entre o desenvolvimento de infraestrutura aeroportuária e a proteção dos interesses econômicos regionais. A decisão presidencial deve ter repercussões duradouras no setor de turismo e na economia do Rio de Janeiro.



