Lula responde a provocação de Flávio Bolsonaro com ironia sobre ex-presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou um tom irônico nesta quinta-feira (26) para rebater o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que no mês passado comparou o petista a um "Opala velho". Durante a abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, em Niterói, Lula declarou que não se ofendeu com o comentário, mas fez uma alfinetada direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente internado em um hospital particular de Brasília.
"Outro dia, o filho do Bolsonaro falou assim: 'o Lula é um Opala velho'. Quando ele fala assim, não me ofendo porque eu tive um Opala 94 turbinado. Se ele conhecesse o meu Opala... Ele fala isso porque o Opala dele é o pai dele, que tá no desmanche", afirmou o presidente, em referência ao estado de saúde de Bolsonaro, diagnosticado com pneumonia decorrente de uma broncoaspiração e que precisou ficar dez dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Contexto da polêmica e declarações anteriores
A provocação de Flávio Bolsonaro ocorreu durante um painel com empresários no mês passado, quando o senador chamou Lula de "produto vencido de verdade" e o comparou a um "Opala velhão". Na ocasião, ele argumentou que o presidente "já foi bonito, mas hoje não leva para lugar nenhum" e criticou a gestão econômica, alegando que a gasolina deixada pelo governo anterior já havia sido consumida.
Lula, porém, aproveitou o evento em Niterói para destacar os feitos de sua administração, especialmente na área da saúde. O mandatário reforçou que o acesso dos homens ao exame de próstata foi facilitado e abordou o preconceito em relação ao procedimento.
"Eu vou dizer pra vocês, homens, que são covardes e têm medo de fazer exame de próstata, podem se preparar porque vão ter que fazer. Se não fizer, vai ser muito mais difícil. Quem não quer tomar uma dedada vai saber que quando tiver detectado vai ser muito mais difícil", afirmou, em um tom direto e descontraído.
Lei Antifacção e críticas ao combate ao crime organizado
Durante o discurso, o presidente também citou a Lei Antifacção, sancionada na última terça-feira (24), com o objetivo de combater o crime organizado. Lula optou por vetar apenas dois trechos do projeto enviado pelo Congresso e fez duras críticas às abordagens estaduais.
"Sancionei a lei para combater o crime organizado, porque é muito fácil os governadores irem na favela, matar os pobres e dizerem 'estamos combatendo o crime organizado'. Eu quero saber quando que eles vão pegar aquele chefe do crime organizado que mora no apartamento de cobertura em Copacabana. É desses que estamos atrás", declarou, enfatizando a necessidade de focar em líderes criminosos de alto escalão.
Além disso, Lula relembrou uma tentativa de cooperação internacional com os Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. "E quando o presidente [Donald] Trump começou a perseguir a Venezuela atrás do narcotráfico, eu falei com ele: 'eu quero combater o narcotráfico. Eu quero trabalhar com vocês'. Tem um monte de bandido brasileiro que mora em Miami. Mandei pra ele os nomes e os endereços dos bandidos. Manda os meus para cá que vamos colocar no xilindró", completou, destacando seu compromisso com ações coordenadas contra o tráfico.
Caravana Federativa e apoio a municípios
A Caravana Federativa do Rio de Janeiro, onde ocorreram as declarações, é uma iniciativa que reúne diferentes órgãos federais para oferecer suporte a prefeitos, prefeitas e equipes técnicas, com orientações sobre políticas públicas. O evento visa fortalecer a gestão municipal e promover a integração entre os níveis de governo, refletindo a agenda de Lula para o desenvolvimento regional.
As falas do presidente misturaram humor, crítica política e defesa de suas políticas, marcando um momento de tensão renovada na cena política brasileira, enquanto Bolsonaro permanece hospitalizado e sua família enfrenta escrutínio público.



