Lula subestima 'doutrina Trump' e crise de segurança na eleição de 2026
Lula minimiza impacto de Trump e segurança em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou o peso político da chamada 'doutrina Trump' e da crise na segurança pública para a próxima campanha eleitoral, marcada para outubro de 2026. Candidato à reeleição, o chefe do Executivo avalia que os aspectos econômicos serão os fatores decisivos para definir o pleito.

Oposição vê oportunidade na queda de Maduro

Ainda sem um discurso unificado para a disputa presidencial, setores da oposição se animaram com a operação militar ordenada pelo governo de Donald Trump que resultou na captura e prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A ação, ocorrida em janeiro de 2026, foi vista como um potencial desgaste para a política externa de Lula.

O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), considerado um nome preferido do Centrão e de parte da elite econômica, criticou a gestão do petista. Ele afirmou que Lula falhou ao tentar mediar um acordo entre Estados Unidos e Venezuela, celebrou o fim de um 'ciclo ruim' no país vizinho e espera que a queda de Maduro anuncie a derrocada da esquerda no Brasil.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), projetado pelo pai, Jair Bolsonaro, para concorrer à Presidência, foi mais longe. Ele declarou ter certeza de que Maduro fará uma delação premiada envolvendo Lula, em busca de um acordo com a Justiça americana para reduzir penas para si e para sua esposa. No cenário idealizado pelo filho mais velho de Bolsonaro, essa delação revelaria uma aliança corrupta entre chavistas e petistas, levando Trump a romper com Lula e a adotar medidas que dificultariam sua reeleição.

PT aposta na soberania e no bolso do eleitor

O Partido dos Trabalhadores, no entanto, desdenha do potencial eleitoral do tema. O secretário de Comunicação da legenda, Éden Valadares, duvida que a oposição consiga manter o assunto em pauta até outubro. "Estão cuspindo para cima, e vai cair na cara deles", provocou.

Valadares argumenta que Lula, assim como fez quando Washington impôs tarifas e sanções contra autoridades brasileiras, sairá fortalecido da questão venezuelana. O episódio daria ao presidente uma nova chance de erguer a bandeira da defesa da soberania nacional, um tema caro a parte do eleitorado.

Conforme análise publicada pela revista VEJA, Lula tem criticado a intervenção militar americana, mas evita um confronto direto com Trump, um antigo adversário que se tornou aliado. Assessores do presidente e especialistas em ciência política lembram que questões de política externa tiveram impacto mínimo ou nulo nas campanhas eleitorais desde a redemocratização. Portanto, por mais que seja explorada pela direita, a captura de Maduro não teria força para desestabilizar o projeto de reeleição de Lula.

Segurança versus Economia: a aposta de Lula

A oposição também tentou capitalizar a crise de segurança pública, especialmente após operações policiais de grande porte, como a realizada contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Presidenciáveis de direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), viram no tema uma chance de desgastar a imagem do presidente.

O marqueteiro Duda Lima, que atuou na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, chegou a afirmar que, se a eleição fosse naqueles dias, daria prioridade máxima à segurança. "Eu ia dizer: 'Se você quer que o bandido continue solto, pode votar no governo. Mas se você quer que o bandido fique morto ou preso, você vai votar na oposição'. Isso ia mexer muito com essa massa do meio", declarou, referindo-se ao eleitor moderado, considerado decisivo.

Pesquisas de opinião confirmam que a segurança pública está entre as principais preocupações dos brasileiros. Lula reconhece essa realidade, mas sua avaliação é diferente. Para ele, o fator definidor da corrida eleitoral de 2026 será a economia. Mais especificamente, os níveis de emprego e renda, além da capacidade de consumo das famílias.

O presidente acredita que o resultado será condicionado pela sensação de bem-estar econômico. Se esse sentimento estiver em alta entre a população, todos os outros temas se tornarão secundários. Foi com base nessa convicção que o governo anunciou, ainda em 2025, uma série de medidas populares, como:

  • Criação de linhas de crédito facilitadas para a classe média comprar a casa própria.
  • Ampliação da distribuição de gás de cozinha subsidiado.
  • Expansão da gratuidade na conta de luz para mais faixas de consumo.
  • Alteração nas faixas de isenção do Imposto de Renda.

A aposta do PT e do Palácio do Planalto é clara: em 2026, o bolso do eleitor falará mais alto do que a criminalidade e eventuais desgastes causados pela política externa agressiva de Donald Trump. A validade dessa estratégia, no entanto, só será comprovada nas urnas.