Rogério Lisboa, antes cotado como vice de Paes, integra chapa do PL no Rio com Douglas Ruas
O ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, do Progressistas (PP), foi oficialmente anunciado nesta semana como candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa encabeçada pelo secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL). A decisão conta com a benção explícita do senador Flávio Bolsonaro, também do PL, e representa uma reviravolta significativa no cenário político fluminense.
Mudança de rumos após aliança de Paes com o MDB
Até a semana passada, Rogério Lisboa era amplamente cotado para compor a chapa adversária, liderada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, do Partido Social Democrático (PSD), que é considerado favorito na corrida ao Palácio Guanabara. No entanto, a situação mudou radicalmente quando Paes recuou das negociações com o PP e selou uma aliança estratégica com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Como parte desse acordo, Paes anunciou a advogada Jane Reis, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, como sua candidata a vice-governadora. A chapa já estava alinhada desde antes do Carnaval, mas foi mantida em segredo absoluto até o momento do anúncio público.
Contexto político e manobras partidárias
Washington Reis, cacique do MDB no Rio, vinha espalhando que seria candidato ao governo estadual, mas desistiu da candidatura porque não conseguiu reverter sua inelegibilidade no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento foi adiado e o desfecho tende a ser desfavorável para ele. Diante disso, o emedebista indicou a irmã, Jane Reis, para disputar ao lado de Eduardo Paes.
Embora Jane Reis não tenha experiência direta de gestão pública, ela possui um sobrenome forte na Baixada Fluminense e conhece profundamente os bastidores da política. Sempre trabalhou nas campanhas da família e na prestação de contas das candidaturas dos irmãos. Além disso, é casada com um pastor da Assembleia de Deus, o que é considerado um ativo importante para a campanha de Paes, ampliando sua base de apoio religiosa.
Reações e consequências da decisão
Coube ao vice-prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), braço-direito de Eduardo Paes, dar a notícia diretamente a Rogério Lisboa. Os dois conversaram pessoalmente na casa do ex-prefeito de Nova Iguaçu. Paes também chegou a telefonar para Lisboa, pedindo compreensão e afirmando que o diálogo deveria continuar, mas com o espaço cedido ao MDB na chapa, as conversas esfriaram rapidamente.
O fato de o PP participar de uma federação partidária com o União Brasil, que é fiel ao PL no Rio, já complicava as negociações desde o início. O anúncio de Jane Reis como vice catapultou a chance de uma composição alternativa. O Partido Liberal logo se movimentou para ocupar o vácuo político e atrair de vez a poderosa federação.
Lideranças do PL buscaram o deputado Doutor Luizinho, líder do Progressistas, para formalizar a união, que foi tornada pública na última terça-feira, em Brasília. Essa manobra estratégica reforça a posição do PL no estado e demonstra a capacidade de articulação do partido em um cenário eleitoral altamente competitivo.
Impacto nas eleições de 2026
A entrada de Rogério Lisboa na chapa de Douglas Ruas altera significativamente o equilíbrio de forças na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Com sua experiência como ex-prefeito de Nova Iguaçu e sua base política na Baixada Fluminense, Lisboa traz um capital eleitoral valioso para a campanha do PL.
Por outro lado, a aliança de Eduardo Paes com o MDB e a indicação de Jane Reis como vice refletem uma aposta em consolidar apoio em regiões-chave e ampliar a rede de influência. As eleições de 2026 prometem ser uma das mais acirradas da história recente do estado, com alianças complexas e reviravoltas que podem definir o futuro político da região.



