Pressão cresce para que Haddad dispute governo de São Paulo em 2026
Com as eleições deste ano se aproximando, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfrenta uma pressão cada vez maior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que dispute o governo de São Paulo. O objetivo central é abrir palanque para a reeleição de Lula no maior colégio eleitoral do país, onde a direita vem ganhando força significativa.
Jantar decisivo e apelos presidenciais
Em um jantar realizado na última semana, Lula teria dito a Haddad que precisa do auxiliar para garantir sua própria reeleição ao Planalto, conforme relatam aliados próximos. Embora o principal ministro da área econômica tenha resistido à ideia inicialmente, os apelos crescentes do presidente possuem poder de dissuasão considerável.
O cenário político em São Paulo tornou-se especialmente preocupante para o PT com o desempenho do senador Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas eleitorais. Uma sondagem do Paraná Pesquisas divulgada recentemente mostra crescimento do primogênito de Jair Bolsonaro contra o atual presidente.
Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas
No cenário de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente de Lula pela primeira vez desde que seu nome começou a ser testado, com 44,4% do eleitorado contra 43,8% do presidente. Este dado representa uma virada significativa no panorama eleitoral e acendeu alertas no entorno governista.
A manifestação bolsonarista do último domingo, 1º de março, na Avenida Paulista, serviu como confirmação adicional desta tendência. O evento colocou Flávio como nome inconteste dos aliados e apoiadores do ex-presidente, especialmente com a ausência de outras lideranças como o governador Tarcísio de Freitas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Estratégia de discurso da oposição
O entorno de Lula teme que, com "o bloco na rua", Flávio terá mais autonomia para fazer críticas contundentes à atual gestão. Tanto o senador quanto seus aliados têm focado o discurso em temas espinhosos como:
- O aumento de impostos e da inflação
- As investigações sobre o Banco Master
- O escândalo do INSS
- A implicação cada vez mais latente de Lulinha
Chapa forte da direita em formação
Com a consolidação de uma chapa forte de direita em São Paulo - com Flávio ao Planalto, Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes coordenando a campanha presidencial, e Guilherme Derrite a uma das vagas ao Senado - urge ao PT o lançamento de um candidato que faça frente a este avanço.
Embora reconheça-se a dificuldade e a improbabilidade de uma vitória, a expectativa é que pelo menos se freie o crescimento de votos bolsonaristas no estado. E esse nome consensual entre aliados é justamente o de Fernando Haddad.
Contexto diferente de 2022
Apesar de Haddad ter sido derrotado por Tarcísio em 2022, quando obteve 44,73% dos votos no segundo turno contra 55,27% do ex-ministro de Bolsonaro, sua performance foi considerada decisiva para a vitória nacional de Lula. A leitura de interlocutores do ministro da Fazenda é que o cenário em São Paulo hoje é outro, menos dificultoso ao candidato do PT.
À época, Bolsonaro era presidente - hoje, não apenas Lula ocupa o mais alto cargo da República, como o ex-capitão, condenado e preso, tem sido cada vez mais ostracizado do debate público. Com a máquina pública nas mãos e diversos anúncios e entregas federais em São Paulo, a avaliação é que Haddad possa ter um desempenho não tão distante do atual governador.
Composição da chapa petista
Do outro lado, ventila-se Lula com Haddad a governador e as vagas ao Senado possivelmente distribuídas a aliados, entre eles as ministras do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). Esta composição busca criar uma frente ampla capaz de enfrentar o avanço conservador no estado mais populoso do país.
A disputa por São Paulo tornou-se, portanto, não apenas uma batalha estadual, mas um elemento fundamental para a estratégia de reeleição presidencial em 2026, com Fernando Haddad no centro deste tabuleiro político complexo.



