O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, emitiu um pedido de desculpas público nesta sexta-feira, 24 de abril, através de suas redes sociais, por uma fala de conotação homofóbica direcionada ao ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema. Na declaração, o ministro equiparou a homossexualidade à prática de crimes, o que gerou forte repercussão negativa. Apesar da retratação, Gilmar Mendes manteve as críticas políticas ao mineiro.
Contexto da polêmica
A fala que motivou o pedido de desculpas ocorreu durante entrevista ao portal Metrópoles na quinta-feira, 23 de abril. Na ocasião, o ministro afirmou: “Agora se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso?”. A declaração equiparou a orientação sexual a um ato criminoso, gerando críticas de entidades de direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+.
Retratação e reação nas redes
Em sua publicação no X (antigo Twitter), Gilmar Mendes escreveu: “Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”. A postagem, no entanto, recebeu uma nota da comunidade informando que atos de homofobia não são passíveis de retratação.
Troca de farpas e inquérito das fake news
A crise entre Gilmar Mendes e Romeu Zema teve início quando o ex-governador publicou em suas redes sociais uma animação intitulada “Os intocáveis”, na qual o ministro e o também ministro Dias Toffoli aparecem em situações de corrupção. O vídeo levou Gilmar a solicitar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, presidido pelo ministro Alexandre de Moraes. Em resposta, Zema declarou que “a carapuça serviu” ao decano. Segundo apuração da coluna Radar, de VEJA, a escalada do conflito pode, na visão de um dos ministros do STF, resultar na prisão do ex-governador.
Repercussão e desdobramentos
O episódio reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o uso de inquéritos para coibir críticas a autoridades. Enquanto aliados de Gilmar Mendes defendem a necessidade de proteger a honra do STF, críticos apontam abuso de poder e perseguição política. A situação segue em aberto, com possíveis desdobramentos judiciais.



