Senador adota tom moderado em ato bolsonarista na capital paulista
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou um discurso de tom brando durante a manifestação bolsonarista que ocorreu na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, neste domingo, 1⁰ de março de 2026. O parlamentar compareceu ao evento utilizando um colete à prova de balas por baixo da camisa da Seleção Brasileira, medida de precaução que chamou a atenção dos presentes e da imprensa.
Críticas ao governo Lula e promessa de anistia para o pai
Em seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao governo do presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto defendeu as conquistas alcançadas durante o mandato de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador fez questão de destacar sua origem familiar, afirmando: "Eu aprendi honestidade em casa. Eu sou filho de Bolsonaro, não sou filho do Lula".
O ponto mais marcante do discurso foi o compromisso público assumido por Flávio de anistiar o próprio pai caso seja eleito presidente nas próximas eleições. Jair Bolsonaro encontra-se preso no Complexo da Papuda, em Brasília, acusado de tentativa de golpe de estado. "Eu disse: 'pai, em janeiro de 2027, você vai pessoalmente subir a rampa do Palácio do Planalto junto com o povo brasileiro. Brasil acima de tudo!'", declarou o senador, referindo-se à visita que realizou ao pai na última quarta-feira, 25 de fevereiro.
Acenos estratégicos a aliados políticos
Durante sua fala, Flávio Bolsonaro fez diversos acenos políticos a figuras importantes da direita brasileira, buscando fortalecer alianças para a campanha eleitoral:
- Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal que organizou o ato na Paulista
- Pastor Silas Malafaia, líder religioso com grande influência entre evangélicos
- Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo que não compareceu ao evento
- Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista
- Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e cotado para vice-presidência
- Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás que rompeu com a linha centrista do partido
Sobre a ausência de menção à madrasta Michelle Bolsonaro (PL-DF), ex-primeira-dama que também não participou da manifestação, o discurso do senador manteve silêncio completo, sem qualquer referência direta ou indireta.
Críticas moderadas ao Supremo Tribunal Federal
Diferentemente do tom mais agressivo adotado por Nikolas Ferreira, que durante o mesmo evento pediu a prisão do ministro Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro direcionou críticas mais brandas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O senador argumentou que a possibilidade de processos de impeachment contra ministros da corte só se tornará viável quando os bolsonaristas conquistarem maioria no Senado Federal.
"Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal", afirmou Flávio, acrescentando que "o nosso alvo nunca foi o Supremo, sempre dissemos que ele era fundamental para a democracia".
Contexto político e eleitoral
A manifestação na Avenida Paulista ocorre em um contexto eleitoral crucial, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. O discurso moderado de Flávio Bolsonaro, contrastando com a retórica mais inflamada de outros líderes bolsonaristas, sugere uma estratégia política calculada para ampliar sua base de apoio além do núcleo duro do bolsonarismo.
A ausência física de importantes aliados como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, combinada com os acenos verbais a essas figuras, revela as complexas dinâmicas de aliança dentro do campo político bolsonarista. O uso do colete à prova de balas, por sua vez, reforça a narrativa de perseguição política que tem sido central no discurso da família Bolsonaro nos últimos anos.



