Flávio Bolsonaro trava Tarcísio e desafia Lula em 2026: veja os 7 desafios do ano eleitoral
Flávio Bolsonaro desafia Lula e trava Tarcísio em 2026

O retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) das férias no Rio de Janeiro marca o início de um ano repleto de desafios complexos, que vão muito além da busca por um quarto mandato no Palácio do Planalto. O cenário político para 2026 já está em ebulição, com movimentos da oposição criando novos obstáculos e definindo uma batalha eleitoral acirrada.

O tabuleiro eleitoral e a fragmentação da direita

Um dos fatores que promete influenciar profundamente a disputa presidencial é a lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa decisão não foi bem recebida por parte do Centrão, que preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome principal da oposição. A movimentação de Flávio fragmenta as forças oposicionistas e, paradoxalmente, pode acabar ajudando Lula ao não consolidar uma liderança única contra ele.

Tarcísio, por sua vez, descartou publicamente uma candidatura ao Planalto, afirmando focar na reeleição ao governo paulista. No entanto, analistas políticos avaliam que as duas opções ainda estão sobre a mesa, dependendo das articulações dos próximos meses. Enquanto isso, Lula já declarou sua intenção de concorrer à reeleição, condicionada à sua "saúde e disposição", posicionando-se como a barreira contra um retorno da "extrema direita" ao poder.

O desmonte do governo e a batalha por São Paulo

Um dos primeiros desafios logísticos de Lula será a saída de pelo menos 20 ministros até abril de 2026, devido à necessidade de desincompatibilização para disputarem cargos eletivos. Entre os nomes mais importantes está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A vontade do presidente é que Haddad dispute o governo de São Paulo, criando um palanque forte no estado mais rico do país e tirando o cargo das mãos de Tarcísio, um dos principais opositores.

Haddad, no entanto, resiste a lançar sua candidatura e pretende deixar o Ministério da Fazenda já em fevereiro para dedicar-se integralmente à campanha de reeleição de Lula. Outros ministros confirmados na corrida eleitoral são Rui Costa (Casa Civil), que concorrerá ao Senado pela Bahia, e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que busca uma vaga na Câmara pelo Paraná. A única indefinição dentro do Planalto é sobre o futuro do ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Os fronts legislativo e internacional

No Congresso, Lula enfrenta um ambiente resistente. Um dos pontos de atrito recentes foi a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha, anunciada em novembro, desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O governo optou por segurar a mensagem formal de indicação para articular apoio, o que gerou críticas de Alcolumbre sobre interferência no cronograma da Casa. Messias precisará de pelo menos 41 votos favoráveis no Senado para ser confirmado.

No plano internacional, a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue sendo um desafio delicado. Após a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros em julho, parte delas foi removida no final de novembro após negociações. No entanto, cerca de 63% das exportações brasileiras para os EUA ainda sofrem com as tarifas elevadas. O episódio mais recente de tensão foi o ataque americano que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Lula condenou veementemente a ação, classificando-a como uma violação do direito internacional, mesmo sem reconhecer a vitória eleitoral de Maduro.

Segurança, economia e os projetos polêmicos

A agenda de segurança pública será prioritária, com a tramitação do Projeto de Lei Antifacção, que cria um Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e prevê penas de até 60 anos para líderes de facções. O texto, aprovado no Senado em dezembro, volta à Câmara. Lula também busca a aprovação da PEC da Segurança Pública, que integra as forças de segurança do país.

Na economia, os números gerais são positivos, com baixo desemprego e crescimento do PIB. Contudo, economistas alertam para o aumento da dívida pública, que deve atingir 82,5% do PIB ao final do governo Lula, representando uma alta de 10,8 pontos percentuais desde o fim de 2022. O rombo nas contas do governo até novembro de 2025 foi de R$ 83,8 bilhões. Para conter a inflação, o Banco Central mantém os juros em patamares elevados.

Outro tema sensível é o chamado PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula já afirmou que vetará o projeto se ele for aprovado pelo Congresso, o que pode gerar um novo embate com o Legislativo para a derrubada do veto.

Com 80 anos completados em 2025, a idade de Lula também entra no debate público, levantado por veículos como a revista The Economist, que questiona os riscos de um mandatário com 85 anos ao final de um eventual quarto mandato. O cenário está armado para um ano decisivo, onde cada movimento de Flávio Bolsonaro, Tarcísio e do próprio Lula redesenhará o futuro político do Brasil.