Eleições 2026: cronograma e sucessão no RJ após renúncia de Cláudio Castro
O cenário político do Rio de Janeiro está em ebulição com a definição do desembargador Ricardo Couto como governador em exercício, após a renúncia de Cláudio Castro do cargo para concorrer ao Senado. Couto, que também preside o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), assumiu o Palácio Guanabara em 23 de março, em um processo de sucessão marcado por vacâncias e decisões judiciais.
O vaivém da sucessão no Palácio Guanabara
A situação se tornou complexa devido a uma "dupla vacância" no governo fluminense. Desde maio de 2025, o estado não contava com um vice-governador, após Thiago Pampolha abdicar do cargo para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Com a renúncia de Castro, a linha sucessória precisou ser acionada, mas enfrentou obstáculos:
- O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, estava afastado desde dezembro devido a prisão e licenças sucessivas.
- O vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli, atuava como presidente em exercício e não poderia herdar a vaga na sucessão.
Assim, coube ao quarto na fila, o presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto, assumir temporariamente o comando do estado. Paralelamente, Castro, Pampolha e Bacellar foram condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 24 de março no escândalo do Ceperj, tornando-se inelegíveis até 2030, com Bacellar também sofrendo cassação.
Próximos passos e definição do mandato-tampão
A previsão atual é que Couto permaneça como governador do Rio de Janeiro pelo menos até 8 de abril, data em que o Supremo Tribunal Federal (STF) marcará o julgamento em plenário das regras para a eleição suplementar do mandato-tampão. Os ministros terão a tarefa crucial de definir se o pleito será:
- Indireto, realizado via votação na Alerj pelos 70 deputados estaduais.
- Normal, com todos os eleitores fluminenses indo às urnas.
O ministro Cristiano Zanin determinou que Couto permaneça no poder até o fim desse julgamento, suspendendo prazos anteriores que previam uma votação indireta no fim de abril.
Regras e candidatos em definição
As regras para a eleição suplementar ainda estão sendo estabelecidas, o que impede a indicação de candidatos específicos. Inicialmente, a Alerj havia previsto que qualquer pessoa poderia concorrer, desde que se desincompatibilizasse de um possível cargo na véspera. No entanto, o ministro Luiz Fux entendeu que a norma dos seis meses sem cargo público deveria valer, estipulando essa condição para os possíveis candidatos.
Com a suspensão dos prazos pela liminar de Zanin, não é possível estimar uma data precisa para a eleição suplementar. O processo aguarda a definição do STF, que trará clareza sobre como será conduzido esse mandato-tampão e quem poderá assumir o governo do Rio de Janeiro até as eleições gerais de 2026.



