Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir governo do Rio em meio a polêmicas
Em uma eleição extraordinária marcada por boicote e questionamentos judiciais pela oposição, Douglas Ruas (PL) foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (26). Com a vitória, de acordo com a linha sucessória, Douglas deve assumir também o cargo de governador do estado, em um cenário de instabilidade política e disputas legais.
Detalhes da votação e reações
Quarenta e seis deputados, de um total de 70, participaram da votação, que foi anunciada no fim da manhã pelo então presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL). Douglas foi eleito com 45 votos, em uma votação aberta com definição por maioria absoluta. Após o resultado, alguns deputados aplaudiram Ruas, enquanto outros gritaram "golpista", refletindo a divisão na Casa.
A oposição tenta barrar judicialmente a eleição, com críticas à marcação do pleito antes da retotalização dos votos determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a cassação de Rodrigo Bacellar. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para terça-feira (31) a retotalização, que pode alterar a composição da Alerj.
Quem é Douglas Ruas
Ruas é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Entre 2017 e 2018, foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, cidade onde seu pai, Capitão Nelson (PL), é prefeito. Nos anos seguintes, atuou como superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e secretário de Gestão Integrada em São Gonçalo.
Em 2022, foi eleito deputado estadual com a segunda maior votação, totalizando 175.977 votos, e declarou um patrimônio de R$ 1,2 milhão. Como deputado, Ruas apresentou apenas oito projetos de lei, nenhum relacionado a polêmicas, e sua atuação na Alerj está vinculada ao cargo de Secretário de Estado das Cidades, que ocupa desde setembro de 2023.
Contexto da eleição e interferência no governo
A Alerj estava sem um presidente titular desde 8 de dezembro, quando Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal, suspeito de vazar informações. Após sua cassação pelo TSE por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, dentro do "escândalo do Ceperj", tornou-se necessária uma nova eleição para a Mesa Diretora.
Com a renúncia de Cláudio Castro e a cassação de Bacellar, o presidente da Alerj também assume o governo do estado. Atualmente, o Rio é governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, em uma linha sucessória repleta de desistências. Castro renunciou na tentativa de reverter o julgamento no TSE, mas foi condenado a 8 anos de inelegibilidade.
Debates e precedentes
Durante a sessão, o deputado Luiz Paulo (PSD) questionou a validade do pleito, argumentando que a cassação de Bacellar pode alterar a composição da Alerj e que o suplente não teria tempo hábil para tomar posse. Em resposta, o deputado Filippe Poubel (PL) lembrou que, em 2019, a eleição do ex-presidente André Ceciliano (PT) ocorreu com 5 deputados presos, criando um precedente para votar com 69 deputados.
Cenário futuro do Rio
Com as mudanças em curso, o Rio pode ter uma sequência rápida de trocas no comando do Executivo. Em pouco mais de um mês, o estado pode passar por quatro governadores diferentes:
- Cláudio Castro, que renunciou
- Desembargador Ricardo Couto, atual governador em exercício
- Novo presidente eleito da Alerj
- Governador escolhido na eleição indireta para o mandato-tampão
Além disso, os eleitores do Rio vão às urnas em outubro para as eleições gerais, quando escolherão o futuro governador do estado, que dará início ao mandato em janeiro, encerrando esse período de transição conturbada.



