Deputados deixam base de Ibaneis no DF após críticas a empréstimo do BRB
Deputados deixam base de Ibaneis após críticas a empréstimo

Ruptura na base aliada abala governo Ibaneis no Distrito Federal

Os deputados Thiago Manzoni, do Partido Liberal, e João Cardoso, do Avante, anunciaram nesta quinta-feira, dia 5, que estão deixando a base aliada do governador Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A decisão representa um revés significativo para a administração estadual e expõe tensões internas na coalizão governista.

Críticas ao resgate do BRB motivam rompimento

Em pronunciamento emocionado no plenário, Thiago Manzoni justificou sua decisão com fortes críticas ao projeto de lei que autoriza o uso de imóveis do Governo do Distrito Federal como garantia para empréstimos do Banco de Brasília. "A dívida que é hoje do BRB vai passar para o Distrito Federal. O DF que está com dificuldade de pagar salários, vai agora aportar recursos de maneira ilimitada para salvar o BRB, eu não posso ser a favor disso", declarou o parlamentar.

Manzoni revelou ainda um episódio conturbado com o governador: "Eu liguei para o governador e fui xingado por ele. Eu não tenho medo de xingamento, de retaliação, de punição". O deputado enfatizou seu compromisso com princípios éticos, afirmando que fará oposição a qualquer medida que considere prejudicial à população.

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Resposta contida do governador

Questionado sobre as declarações do deputado, Ibaneis Rocha optou por uma resposta breve e diplomática: "Melhor deixar ele de lado. Ele é um bom deputado que traduz uma boa representação da direita". A postura do governador sugere uma tentativa de minimizar o impacto político da deserção.

PL define estratégia eleitoral para 2026 com chapa pura

Enquanto a crise política se desenvolve, o Partido Liberal anunciou sua estratégia para as eleições de 2026 no Distrito Federal. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis formarão uma "chapa pura" para disputar as duas vagas disponíveis no Senado, sem apoiar candidatos de outras siglas.

Bia Kicis confirmou a informação ao g1 e explicou a decisão: "Eu e a Michelle somamos forças, trajetórias e públicos diferentes, mas com o mesmo eixo de valores e de pautas, como liberdade, família, respeito ao cidadão e defesa do Distrito Federal". A decisão conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda.

PL abre mão de candidatura própria ao governo

Com a definição da chapa ao Senado, o Partido Liberal também decidiu não lançar candidato próprio ao governo do Distrito Federal em 2026. Segundo Bia Kicis, que preside a legenda no DF, o partido deve apoiar a atual vice-governadora Celina Leão, do MDB, na disputa pelo Palácio do Buriti.

"Eu sempre defendi que seria importante lançar um nome do partido, mas, diante dessa definição, abrimos mão da candidatura própria e vamos apoiar a Celina", explicou a deputada. A articulação para esse apoio foi conduzida por Michelle Bolsonaro junto à direção nacional do PL.

Cenário eleitoral em formação

Para 2026, o Distrito Federal terá duas vagas em disputa no Senado Federal. A terceira cadeira permanece com a senadora Damares Alves, dos Republicanos, eleita em 2022 com mandato até 2030. A movimentação política indica um realinhamento das forças de direita na capital federal, com o PL buscando consolidar sua base eleitoral.

A decisão dos deputados em deixar a base governista ocorre em um momento delicado para a administração de Ibaneis Rocha, que enfrenta desafios fiscais e agora vê sua maioria parlamentar reduzida. O rompimento pode dificultar a aprovação de projetos-chave do governo, incluindo a polêmica medida relacionada ao BRB.

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