Debandada no PDT cearense: 4 deputados federais deixam partido e migram para o PSB
Debandada no PDT: 4 deputados federais do Ceará vão para o PSB

Debandada no PDT cearense: quatro deputados federais deixam partido e migram para o PSB

O cenário político do Ceará passa por uma transformação significativa com a migração em massa de parlamentares do Partido Democrático Trabalhista (PDT) para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Neste fim de semana, os deputados federais Idilvan Alencar e Robério Monteiro oficializaram suas saídas do PDT e ingressaram no PSB em cerimônias distintas, ambas celebradas pelo senador Cid Gomes, figura central nesse movimento realinhamento partidário.

Janela partidária acelera esvaziamento do PDT no Ceará

Esta movimentação ocorre durante a janela partidária, período no qual os parlamentares podem trocar de legenda sem risco de perder seus mandatos, que se encerra no próximo dia 3 de abril. Além de Alencar e Monteiro, o suplente de deputado federal Leônidas Cristino, atualmente no exercício do mandato, também deixou o PDT nesta segunda-feira (30).

O deputado federal licenciado Eduardo Bismarck já anunciou que abandonará o partido durante esta janela, embora ainda não tenha revelado seu destino. Mauro Filho é outro parlamentar que deve seguir o mesmo caminho, mas igualmente não divulgou para qual sigla migrará.

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Até o momento, pelo menos cinco deputados federais e onze deputados estaduais cearenses já trocaram de partido, com possibilidade de aumento desse número até o final do prazo. Embora trocas partidárias sejam comuns durante a janela, a situação do PDT no Ceará é considerada excepcional, pois o partido pode ver sua bancada na Câmara dos Deputados reduzida a apenas um parlamentar e sua representação na Assembleia Legislativa do estado praticamente desaparecer.

Ruptura familiar desencadeia crise partidária

A debandada do PDT no Ceará tem suas raízes na briga pública entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes durante as eleições de 2022. O conflito surgiu durante o processo de escolha do candidato ao Governo do Ceará, resultando no rompimento da aliança de 16 anos entre PT e PDT no estado.

Na ocasião, Cid Gomes e o então governador Camilo Santana (PT) defenderam a candidatura de Izolda Cela (então no PDT, hoje no PSB) à reeleição, enquanto Ciro Gomes insistiu que o PDT lançasse o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Com a vitória da posição de Ciro dentro do partido, Cid rompeu com o irmão e se afastou da campanha.

Este desentendimento familiar desencadeou uma série de consequências políticas:

  • Cid Gomes deixou o PDT e se filiou ao PSB em 2024
  • A maioria dos aliados de Cid migrou junto com ele para o PSB
  • Em 2025, Ciro Gomes também abandonou o PDT, filiando-se ao PSDB
  • O PDT retomou a aliança estadual com o PT, comprometendo-se a apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas em 2026

PSB emerge como nova força política dominante

Enquanto o PDT enfrenta esvaziamento, o PSB experimenta crescimento exponencial no Ceará. Entre 2022 e 2025, doze deputados estaduais aliados de Cid Gomes deixaram o PDT e migraram para o PSB, formando a maior bancada da Assembleia Legislativa cearense.

O avanço do PSB se manifesta em várias frentes:

  1. Nas eleições municipais de 2024, o partido elegeu 65 prefeitos entre os 184 municípios cearenses, tornando-se a legenda com maior número de prefeituras no estado
  2. O PDT, que em 2020 tinha 66 prefeituras sob comando dos irmãos Ferreira Gomes, viu sua participação reduzir-se a apenas 5 prefeituras em 2024
  3. Na Câmara Federal, o PSB que não tinha nenhum deputado federal pelo Ceará em 2022, agora conta com três parlamentares e pretende ampliar essa bancada nas eleições deste ano

O senador Cid Gomes anunciou ambição de eleger pelo menos cinco deputados federais pelo PSB nas próximas eleições. Para o Senado, ele pretende lançar Júnior Mano, primeiro deputado federal filiado ao PSB no estado, que havia sido expulso do PL.

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Cenário eleitoral em formação para 2026

As movimentações partidárias preparam o terreno para as eleições de 2026 no Ceará. Enquanto Cid Gomes afirma não pretender concorrer à reeleição ao Senado, seu irmão Ciro Gomes é apontado como candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB, reunindo apoio de diversas lideranças de oposição, incluindo deputados do PL e do União Brasil.

O realinhamento político em curso no estado demonstra como dissidências internas e realinhamentos de alianças podem reconfigurar rapidamente o cenário partidário regional, com consequências que se estendem desde as prefeituras municipais até as bancadas federais, redefinindo o equilíbrio de poder em um dos estados mais importantes do Nordeste brasileiro.