Datafolha investiga percepção de eleitores sobre responsabilidade por problemas em São Paulo
A nova pesquisa Datafolha sobre a disputa eleitoral no Estado de São Paulo, que será divulgada na quinta-feira, 5 de março de 2026, vai além das tradicionais sondagens de intenção de voto. O instituto incluiu perguntas específicas que buscam identificar a quem os eleitores atribuem a responsabilidade por três problemas centrais que afetam o cotidiano dos paulistas: as constantes quedas de energia, a necessidade de racionamento de água e os aumentos nos pedágios das estradas.
Questões que definem a campanha eleitoral
Uma das perguntas do Datafolha questiona especificamente sobre as frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo. Os entrevistados poderão atribuir a responsabilidade ao prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao governo federal ou à concessionária Enel. Este problema tem sido fonte constante de insatisfação entre os moradores, com ambos Tarcísio e Nunes defendendo o fim do contrato com a Enel, embora essa decisão dependa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão federal.
Outra questão aborda a crise hídrica que tem afetado diversas regiões do estado, levando à necessidade de racionamento de água. Os eleitores serão questionados sobre quem consideram responsável por essa situação: o governo do estado, a prefeitura, o governo federal ou a Sabesp, empresa de saneamento que foi privatizada durante a gestão de Tarcísio de Freitas.
Por fim, o Datafolha também investigará a percepção sobre os aumentos nos pedágios das estradas paulistas, um tema que a oposição pretende explorar durante a campanha eleitoral. O sistema free flow, implementado pelo atual governo, instalou pórticos de cobrança que utilizam câmeras e sensores, eliminando as tradicionais praças físicas. Os entrevistados poderão escolher entre prefeitura, governo estadual, governo federal e as concessionárias que administram as rodovias.
Contexto político e avaliação do governador
Esta pesquisa ocorre em um momento crucial, sendo a primeira do Datafolha após a confirmação de Tarcísio de Freitas como candidato à reeleição. Anteriormente cotado como possível candidato da oposição à presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva, Tarcísio agora concentra seus esforços na disputa pelo governo paulista.
Na última pesquisa do instituto sobre São Paulo, realizada em abril de 2025, a gestão de Tarcísio era considerada ótima ou boa por 41% do eleitorado, regular por 33% e ruim por 22%. Quando questionados especificamente sobre aprovação do trabalho do governador, 61% dos entrevistados afirmaram aprovar, enquanto 33% declararam desaprovar.
No levantamento do ano passado, Tarcísio aparecia como favorito à reeleição, com mais de 40% das intenções de voto no primeiro turno. Naquela ocasião, o Datafolha testou cenários com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, ambos do PSB. Agora, o cardápio de possíveis adversários inclui o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que pode ser anunciado ainda esta semana como candidato apoiado por Lula no estado.
Vale lembrar que nas eleições de 2022, Haddad foi derrotado no segundo turno por Tarcísio, mas obteve expressivos 45% dos votos dos paulistas, indicando uma base eleitoral significativa que poderá ser decisiva na disputa de 2026.
Significado das novas perguntas
A inclusão dessas questões específicas sobre responsabilidade por problemas urbanos representa uma evolução nas pesquisas eleitorais, indo além das tradicionais medições de popularidade e intenção de voto. O Datafolha busca compreender como os eleitores paulistas atribuem culpas e responsabilidades por questões que afetam diretamente sua qualidade de vida, o que pode influenciar significativamente suas escolhas nas urnas.
Essa abordagem reflete a crescente importância de temas concretos do cotidiano nas campanhas eleitorais, em contraste com debates mais abstratos ou ideológicos. As respostas a essas perguntas poderão fornecer insights valiosos sobre quais argumentos e críticas podem ressoar mais fortemente com o eleitorado durante a campanha.
A pesquisa também servirá como um termômetro importante para avaliar como a gestão de Tarcísio de Freitas é percebida em relação a problemas específicos, permitindo que tanto governo quanto oposição ajustem suas estratégias de comunicação e propostas de solução conforme as percepções do eleitorado.
