Governo Lula enfrenta crise interna e queda na popularidade diante de pressões políticas
Crise interna e queda na popularidade pressionam governo Lula

Governo Lula enfrenta turbulência política com queda na aprovação e crises internas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um momento delicado em seu governo, com pesquisas de opinião mostrando patamares preocupantes de aprovação e uma série de divergências internas que ameaçam a coesão do Palácio do Planalto. Enquanto o avanço político de Flávio Bolsonaro ganha espaço, o governo acumula recuos e tentativas de sair das cordas diante de um cenário político cada vez mais complexo.

Pesquisas revelam cenário de divisão e pressão sobre o Planalto

Dados da pesquisa Quaest divulgada neste mês mostram que 49% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, enquanto apenas 45% aprovam sua gestão. O índice de aprovação apresentou oscilação negativa, caindo de 47% em janeiro para 45% em fevereiro, enquanto a taxa de desaprovação se manteve estável nos 49%. Esses números reforçam um cenário de divisão na opinião pública e aumentam a pressão sobre o governo federal, que busca alternativas para melhorar sua imagem perante a população.

Crise do imposto sobre importação de eletrônicos expõe fissuras

O episódio mais recente que evidenciou as fissuras internas do governo envolveu o aumento da alíquota do imposto de importação sobre produtos eletrônicos. A medida, uma norma interna do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços elaborada em conjunto com a Fazenda, veio à tona através de reportagem jornalística e gerou imediata reação negativa.

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Ministros e auxiliares próximos a Lula afirmaram ter tomado conhecimento da medida apenas pela imprensa ou pela oposição, estabelecendo um paralelo preocupante com crises anteriores de comunicação governamental. Nos bastidores, começou uma verdadeira caça para identificar quem teria proposto a iniciativa, enquanto ministros palacianos defendiam a revogação imediata para conter o desgaste político.

No entanto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, conseguiu convencer o Planalto de que a medida teria caráter principalmente regulatório e impacto limitado nos preços ao consumidor. Por ora, o aumento não deve ser revogado, mas auxiliares do presidente monitoram atentamente a recepção pública ao tema.

Recuo em decreto sobre hidrovias da Amazônia gera embates

Outro ponto de tensão ocorreu com o recuo do governo em relação ao decreto que incluía três importantes hidrovias amazônicas - Tapajós, Madeira e Tocantins - no Programa Nacional de Desestatização. A decisão de rever a medida ocorreu após intensa pressão de povos indígenas, que realizaram protestos nas regiões afetadas e chegaram a ocupar instalações da empresa Cargill em Santarém, no Pará.

Os indígenas manifestaram preocupação com processos de dragagem e o que classificaram como risco de "privatização" do rio Tapajós, já que o decreto previa estudos para futuras concessões dos trechos. O episódio gerou embates tensos dentro do próprio governo, opondo o ministro Guilherme Boulos a representantes do centrão político.

Lula foi convencido por Boulos a recuar, com argumentos baseados no desgaste político junto à base governista, na repercussão negativa da medida e nos protestos indígenas. Havia temores de uma repetição dos eventos de junho de 2013, quando manifestações iniciadas contra aumentos tarifários ganharam dimensão nacional após repressão policial e levaram milhões às ruas em mais de cem cidades brasileiras.

Outras frentes de tensão e estratégias de recuperação

O governo ainda enfrenta desafios em outras frentes, incluindo a tramitação do PL Antifacção, onde governo e PT tiveram que se debater sobre como tratar a aprovação de um texto que divergia do negociado no Senado e não agradava plenamente a nenhuma das partes. A decisão foi apresentar o resultado como vitória, com possibilidade de correções futuras, prevalecendo a posição do ministro Sidônio Palmeira.

Além disso, o Planalto ainda lida com as consequências do desgaste com evangélicos durante o período carnavalesco. Agora, aposta na aprovação do fim da escala 6 x 1 como trunfo para melhorar a popularidade de Lula, embora existam embates internos sobre quem ficará com a paternidade política da proposta.

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O cenário atual mostra um governo que, diante de pesquisas desfavoráveis e avanço da oposição, acumula divergências internas e tenta encontrar caminhos para recuperar sua coesão e popularidade. As próximas semanas serão decisivas para determinar se o Planalto conseguirá reverter essa tendência ou se as fissuras continuarão a se aprofundar.