Colégio Militar do DF recua após polêmica com livro 'A Bolsa Amarela'
Colégio Militar recua após polêmica com livro de Lygia Bojunga

Pais e responsáveis do Colégio Militar Dom Pedro II, instituição administrada pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, manifestaram-se contra a utilização do livro 'A Bolsa Amarela', da renomada autora Lygia Bojunga, em uma atividade pedagógica voltada aos alunos. A obra, publicada originalmente em 1976 – ano marcado pelo regime militar, pela repressão e pela censura – narra a história de Raquel, uma menina de 10 anos que enfrenta a proibição de realizar três desejos: crescer, ser menino e tornar-se escritora. Reprimida pela própria família, Raquel esconde suas aspirações em uma bolsa amarela, onde descobre amigos que a auxiliam a encontrar uma nova maneira de existir no mundo.

O livro é o terceiro publicado por Lygia Bojunga, autora gaúcha de 92 anos, que possui mais de 20 títulos em sua carreira. Ela foi a primeira escritora brasileira a receber o Prêmio Hans Christian Andersen (1982) e o Prêmio Astrid Lindgren Memorial Award (2004), considerados as mais altas honrarias da literatura infantojuvenil mundial.

Posicionamento da instituição

Em nota, a seção de Relações Públicas do Colégio Militar Dom Pedro II esclareceu que a obra não foi adotada como leitura obrigatória nem como objeto de trabalho pedagógico. Segundo a instituição, um recorte de uma das páginas do livro foi utilizado em material complementar para estudo do gênero textual 'resenha'. Após as reclamações, o link externo que continha o trecho foi retirado preventivamente para reavaliação pela área pedagógica competente.

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O colégio reforçou que a atividade tinha como único objetivo o desenvolvimento de competências de leitura, interpretação e produção textual, sem qualquer direcionamento ideológico. A instituição reafirmou seu compromisso com a qualidade do ensino e com o diálogo transparente com as famílias.

Repercussão nas redes

O escritor Pedro Bandeira, conhecido por obras infantojuvenis, manifestou-se em uma rede social sobre o caso. 'A obra dela é um direito das nossas crianças. O que nos conforta é saber que jamais conseguirão apagar o que ela e sua obra representam para a cultura do nosso país', declarou. A publicação gerou dezenas de comentários de usuários que lamentaram a polêmica. Uma internauta escreveu: 'Esse livro é tão lindo! Que tempos difíceis os que vivemos'. Outra afirmou: 'A Bolsa Amarela foi o primeiro livro que escolhi para ler inteiro, quando tinha cerca de 6, 7 anos. Marcou minha infância e minhas memórias! A Bolsa carregou meus sonhos e os afetos que me tornaram a leitora (e a pessoa) que sou'.

Nota oficial do Colégio Militar Dom Pedro II

A instituição divulgou uma nota oficial detalhando o ocorrido: 'O Colégio Militar Dom Pedro II (CMDP II) esclarece que a atividade mencionada teve como finalidade o estudo do gênero textual “resenha”, conteúdo previsto no planejamento da disciplina de Língua Portuguesa. O livro citado em manifestações públicas não foi adotado pela unidade escolar, tampouco indicado como leitura obrigatória ou objeto de trabalho pedagógico com os estudantes. A referência questionada, nada mais era que um pequeno recorte de uma de suas páginas, que constava apenas em material complementar acessado por meio de link externo, utilizado como apoio a exercícios de interpretação e análise textual. Após as manifestações recebidas, o link externo foi retirado preventivamente para reavaliação pela área pedagógica competente. O CMDP II ressalta que a proposta da atividade estava relacionada exclusivamente ao desenvolvimento de competências de leitura, interpretação e produção textual, não havendo direcionamento de natureza ideológica. Por fim, reafirmamos nosso compromisso com a qualidade do ensino oferecido no âmbito do Colégio Militar Dom Pedro II, com o acompanhamento permanente dos materiais pedagógicos utilizados e com o diálogo transparente e respeitoso junto às famílias.'

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