O cientista político Fábio Vasconcellos afirmou, no programa Ponto de Vista, que as pesquisas divulgadas após o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro mostram um impacto real sobre a candidatura do senador, mas abaixo das expectativas criadas nos bastidores políticos. A análise foi feita durante entrevista à apresentadora Laísa Dall’Agnol, após a divulgação da nova pesquisa BTG Nexus.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o cenário permanece apertado, apesar do desgaste recente enfrentado pelo senador após a divulgação de áudios relacionados ao Banco Master. “Foi muito abaixo das expectativas que foram criadas na véspera”, afirmou Vasconcellos sobre o impacto do caso nas pesquisas.
Por que as pesquisas mostraram resultados diferentes?
Durante a entrevista, o especialista destacou que parte das diferenças observadas entre os levantamentos recentes está relacionada às metodologias utilizadas pelos institutos. Segundo ele, a pesquisa BTG Nexus foi feita por telefone, enquanto a AtlasIntel utiliza questionários online e o Datafolha adota entrevistas presenciais. Na avaliação do cientista político, apesar das diferenças metodológicas, os levantamentos convergem ao apontar algum nível de desgaste para Flávio após a crise. “O Datafolha capturou uma variação de 4% acima da margem de erro”, afirmou.
O escândalo teve impacto menor do que se esperava?
Segundo Vasconcellos, havia nos bastidores políticos uma expectativa de que a revelação dos áudios pudesse provocar uma deterioração muito mais acelerada da candidatura do senador do PL. “As expectativas estavam muito mais altas do que de fato o eleitorado reage”, afirmou. Para o cientista político, a dinâmica do eleitorado costuma ser mais lenta e gradual do que a percepção construída nas redes sociais e no ambiente político. “As reações não são tão imediatas a ponto de haver uma inflexão tão radical nas intenções de voto”, disse. Ele avaliou ainda que será necessário acompanhar os próximos movimentos da campanha e a evolução do caso para medir se o desgaste será duradouro. “A gente precisa observar a partir desse ponto em diante como vai ser diluída essa crise”, afirmou.
Escândalos políticos desaparecem rápido da memória do eleitor?
Durante o debate, o colunista Robson Bonin questionou se o caso envolvendo Flávio Bolsonaro poderia acabar perdendo força até o período eleitoral, como já ocorreu com outras crises recentes. Na resposta, Vasconcellos afirmou que escândalos tendem a perder intensidade em ambientes de comunicação digital acelerada, mas dificilmente desaparecem por completo. Segundo ele, parte do eleitorado menos atento acaba deixando temas antigos para trás rapidamente, sobretudo diante da velocidade do debate político nas redes sociais. “Para o eleitorado pouco atento, desaparece”, afirmou.
A campanha de Flávio ainda pode reagir?
Na avaliação do cientista político, a disputa presidencial continuará sendo marcada principalmente pela guerra de comunicação entre os dois campos políticos. “Uma campanha eleitoral é uma guerra de comunicação”, afirmou. Segundo Vasconcellos, a tendência é que o campo bolsonarista organize uma reação narrativa para tentar reduzir os danos provocados pelo escândalo. “O outro campo também vai reagir e vai produzir argumentação para reequilibrar esse jogo de informações”, disse. O especialista afirmou ainda que o futuro do caso dependerá da existência — ou não — de novos fatos envolvendo o Banco Master. “Há várias perguntas em aberto. Será que o escândalo vai ter continuidade? Será que haverá fatos novos?”, questionou.



