Cenário nacional abala alianças na corrida ao governo de Minas Gerais
A ausência de um palanque definido em Minas Gerais para os dois principais pré-candidatos à Presidência da República – o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – está provocando uma verdadeira reviravolta no tabuleiro político mineiro. A influência direta do cenário nacional sobre a disputa estadual tem se manifestado claramente através dos movimentos recentes de dois partidos fundamentais da base do governador Romeu Zema (Novo): o PL e o União Brasil.
Exigências partidárias e promessas em conflito
Originalmente, essas legendas eram consideradas peças-chave no apoio à chapa liderada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD), indicado por Zema para sua sucessão. No entanto, articulações em nível nacional ameaçam afastar esses partidos do candidato oficial. Dirigentes do PL deixaram claro que sua participação em qualquer chapa estadual está condicionada ao apoio e à disponibilização de um palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Essa exigência colide frontalmente com um compromisso assumido por Simões com Zema, quando ele deixou o Novo para se filiar ao PSD, no ano passado. Na ocasião, o vice-governador foi categórico: "O presidente [do partido, Gilberto] Kassab foi muito claro. Em Minas Gerais, o palanque [para a candidatura presidencial] é do governador Romeu Zema, é assim que caminharemos". A decisão final do PL sobre o apoio ao Palácio Tiradentes será fortemente influenciada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, principal expoente do partido no estado, que tem descartado uma candidatura própria ao governo.
Mudanças na União Brasil e a sombra de Pacheco
Enquanto o PL se mostrava um alvo de Simões, a federação entre União Brasil e PP era tratada pelo vice-governador como parte consolidada de sua chapa, com uma vaga ao Senado praticamente garantida ao secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro (PP). Contudo, a certeza deu lugar à incerteza neste mês, após uma mudança de comando no diretório estadual da legenda.
O partido deixou de ser liderado pelo deputado federal Delegado Marcelo Freitas, considerado próximo de Simões, e passou para as mãos do também deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Essa movimentação é atribuída a uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e fortalece os sinais de que Pacheco, seu aliado histórico, está em processo de migração para o partido.
Simões afirma manter um acordo sólido com os presidentes nacionais do União Brasil e do PP, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, respectivamente. "Eu estou muito tranquilo porque não fui procurado por nenhum dos dois partidos para dizer que o nosso acordo está de qualquer forma em risco", declarou o vice-governador em entrevista. A federação possui uma bancada de 107 deputados, a maior da Câmara, o que garante um tempo valioso de propaganda eleitoral para a chapa que integrar.
O possível candidato que centraliza expectativas
A provável ida de Rodrigo Pacheco para o União Brasil anima os defensores de sua candidatura ao governo mineiro, que também serviria como um palanque estadual para a reeleição do presidente Lula. O senador manteve seu estado de indefinição após um encontro com Lula, no qual ouviu do petista que era sua única opção. Pacheco respondeu que pretende encerrar a carreira política e só concorreria se não houvesse alternativa – cenário que, em sua avaliação, não se configura.
Ele sinalizou, no entanto, que avalia disputar o governo caso não surja uma opção competitiva. Enquanto a indefinição de Pacheco persiste, o PT mineiro já sondou diversos nomes como plano B, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), a reitora da UFMG, Sandra Goulart, e o ex-presidente da Fiesp, Josué Gomes. Nenhuma articulação avançou significativamente.
A única definição concreta do PT no estado é a candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos, ao Senado. A outra vaga ao Senado na chapa poderia ser ocupada por Kalil ou pelo ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia). Os defensores de Pacheco acreditam que o senador tem a capacidade única de centralizar em seu nome o apoio tanto de setores da esquerda quanto do centro – um espectro político que atualmente conta apenas com o pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



