Castro, Altineu e Flávio Bolsonaro preparam reunião para discutir sucessão no Rio
Castro e Bolsonaro preparam reunião sobre sucessão no Rio

Encontro político define rumos da sucessão no governo do Rio de Janeiro

Uma reunião crucial entre o governador Cláudio Castro, do Partido Liberal (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dirigente partidário Altineu Côrtes está agendada para o dia 23 de fevereiro, logo após o período do carnaval. O objetivo principal do encontro é discutir os caminhos para a sucessão do governo estadual do Rio de Janeiro, um tema que ganhou urgência após recentes desenvolvimentos na Assembleia Legislativa.

Contexto das eleições indiretas e vácuo de poder

A Alerj aprovou a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão, uma medida necessária devido ao futuro vácuo de poder no Palácio Guanabara. Essa situação surgiu porque Thiago Pampolha, do MDB, deixou o cargo de vice-governador no ano passado, enquanto Cláudio Castro planeja sair do posto para concorrer a uma vaga no Senado. A decisão da Assembleia Legislativa cria um cenário político complexo, exigindo articulações rápidas entre as lideranças partidárias.

O impasse atual gira em torno da escolha do candidato para o pleito na Alerj. De um lado, Cláudio Castro defende o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, como o nome ideal. Do outro, Flávio Bolsonaro busca um político mais competitivo, capaz de enfrentar Eduardo Paes, do PSD, na disputa pelo governo do estado. Altineu Côrtes, como mandachuva do PL, parece alinhar-se com a posição de Flávio Bolsonaro nessa discussão, indicando tensões internas no partido.

Mudanças nas regras eleitorais e benefícios para candidatos

Até a votação na Alerj, Nicola Miccione não poderia concorrer em eleições diretas, pois candidatos geralmente precisam deixar cargos públicos seis meses antes do pleito. No entanto, com a aprovação de um novo texto pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ficou estabelecido que aqueles que desejam disputar devem renunciar ao posto no Executivo em até 24 horas após a dupla vacância no Guanabara, ou seja, quando Castro formalizar sua saída.

Essa alteração beneficiou não apenas Miccione, mas também outros nomes, como Douglas Ruas, da Secretaria de Cidades, apoiado pelo PL, e André Ceciliano, da Secretaria de Assuntos Federativos, que é a aposta do Partido dos Trabalhadores (PT). Além disso, foi determinado que o voto na eleição indireta será aberto, aumentando a transparência do processo, mas também potencialmente intensificando as pressões políticas sobre os deputados.

Preparações e ofensivas no cenário político

Enquanto Castro e o PL preparam o terreno para a eleição-tampão, a oposição já articula ofensivas no Supremo Tribunal Federal (STF), indicando que a disputa pode se estender para além dos corredores da Alerj. A reunião marcada para fevereiro será, portanto, um momento decisivo para alinhar estratégias e tentar resolver o impasse interno, com implicações significativas para o futuro político do Rio de Janeiro.

O encontro promete ser um marco na política fluminense, reunindo figuras-chave em um momento de transição e incerteza. As decisões tomadas nessa reunião poderão moldar não apenas a sucessão imediata, mas também as alianças e conflitos que definirão as eleições estaduais futuras, em um estado conhecido por sua complexidade e competitividade política.