Ausências de Michelle e Tarcísio marcam ato de Flávio Bolsonaro na Paulista
Ausências significativas em ato de Flávio Bolsonaro na Paulista

Ausências 'muito significativas' marcam ato de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista

A manifestação que reuniu aproximadamente 20 mil pessoas na Avenida Paulista no domingo, 1º de março, teve como protagonista incontestável o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, além do discurso proferido pelo parlamentar — que subiu ao palco utilizando colete à prova de balas — foram as ausências que mais chamaram a atenção dos analistas políticos e do público presente.

Duas figuras-chave ficaram de fora do evento

Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e uma das personalidades mais populares do campo conservador com forte apelo junto ao eleitorado evangélico, não compareceu ao ato. Da mesma forma, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representante de uma ala considerada mais técnica e menos ideológica da direita brasileira, também esteve ausente.

O colunista Mauro Paulino classificou essas ausências como "bem significativas", destacando o contraste com a presença de outros governadores como Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Num momento em que o bolsonarismo busca consolidar unidade e ampliar seu alcance eleitoral, a não participação dessas duas figuras simbólicas sugere que a consolidação em torno do nome de Flávio Bolsonaro ainda não é automática nem homogênea.

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Estratégia de discurso moderado e calculado

Durante o ato, Flávio Bolsonaro adotou um tom visivelmente mais contido do que o tradicionalmente associado ao bolsonarismo. As críticas ao Supremo Tribunal Federal — especialmente dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes — estiveram presentes, mas foram expressas em linguagem cuidadosamente elaborada.

Segundo análise de Paulino, houve preocupação evidente em evitar termos que pudessem ser interpretados como crime eleitoral ou afronta direta às instituições democráticas. O discurso incluiu defesa de impeachment de ministros que "descumpram a lei", porém com um tom menos incendiário do que em embates anteriores liderados por Jair Bolsonaro.

Paulino definiu essa abordagem como um "ataque controlado": suficientemente forte para manter a base política engajada, mas moderado o bastante para evitar reações judiciais mais severas ou ampliar o desgaste institucional.

Números da manifestação e estratégia eleitoral

O levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap apontou a presença de 20 mil manifestantes — número distante das estimativas infladas de atos anteriores, que frequentemente mencionavam centenas de milhares ou mesmo milhões de participantes. Para analistas, esse dado é relevante por dois motivos principais:

  • Demonstra a aplicação de método científico na medição de eventos públicos
  • Confirma que o bolsonarismo mantém capacidade de mobilização rápida e organizada

A estratégia política por trás do discurso moderado parece clara: suavizar a imagem pública de Flávio Bolsonaro para reduzir rejeição e ampliar o eleitorado potencial. "Até onde é possível um bolsonarismo moderado?", questionou Paulino, classificando a ideia como uma "fantasia", mas reconhecendo que este será provavelmente o eixo central da campanha eleitoral do senador.

O evento na Paulista revelou assim as complexidades internas do movimento bolsonarista, as tensões entre diferentes alas da direita brasileira e os desafios que Flávio Bolsonaro enfrenta ao tentar construir uma imagem mais moderada enquanto mantém o engajamento de sua base política tradicional.

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