O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, anunciou uma pausa significativa no processamento de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. A medida, descrita como uma forma de proteger a riqueza nacional, entra em vigor no dia 21 de janeiro e não tem data para terminar.
Critérios Rígidos e o Conceito de "Ônus Público"
Em comunicado oficial divulgado na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o Departamento de Estado americano justificou a decisão. O objetivo declarado é impedir que novos imigrantes "extraiam a riqueza do povo americano" através do uso de benefícios sociais. A pausa permanecerá indefinidamente até que uma nova avaliação sobre os critérios de elegibilidade seja concluída.
A ação é a mais recente etapa na aplicação agressiva das regras de "ônus público". Desde novembro de 2025, embaixadas e consulados já vinham seguindo diretrizes para negar vistos a candidatos considerados propensos a depender de assistência pública. Agentes avaliam situação financeira, proficiência em inglês, necessidades médicas e até a saúde de familiares dependentes.
Recorde em Revogações e Expansão da Repressão
Esta suspensão ocorre no contexto de uma ofensiva anti-imigração sem precedentes. O Departamento de Estado informou que, desde o retorno de Trump à Casa Branca, mais de 100.000 vistos já foram revogados – um aumento superior a 150% em relação a 2024 e um recorde histórico.
Entre os documentos cancelados, cerca de 8 mil eram de estudantes e 2,5 mil eram vistos especiais de estrangeiros com histórico de envolvimento em atividades criminais. Para acelerar esse processo, o governo criou um Centro de Monitoramento Contínuo, focado em revisar permanentemente a situação de estrangeiros no país.
Violência e Superlotação nos Centros de Detenção
A política migratória intensificada tem sido acompanhada por um aumento preocupante de violência e condições críticas nos centros de custódia. Dados compilados pela organização The Trace revelam que agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) estiveram envolvidos em pelo menos 16 tiroteios desde o início da nova fase da ofensiva.
Em paralelo, a população nos centros de detenção do ICE cresceu quase 50% em menos de um ano, chegando a aproximadamente 69 mil pessoas. A superlotação é generalizada. O ano de 2025 foi o mais letal em mais de duas décadas, com 32 mortes sob custódia do ICE, igualando o recorde de 2004. ONGs atribuem as mortes à combinação de superlotação, negligência médica e condições precárias.
Operações de grande escala, como uma realizada na região de Minneapolis com cerca de 2.000 agentes, exemplificam a estratégia nacional de repressão, que já passou por cidades como Los Angeles, Chicago e Nova Orleans. O resultado é um salto no número de deportações: mais de 352 mil imigrantes foram presos e deportados no período.
A lista de 75 países afetados pela suspensão de vistos inclui, além do Brasil, nações como Rússia, Irã, Afeganistão, Somália e Iraque. O governo americano ainda não esclareceu se todos os tipos de visto serão impactados pela medida.