Aliados de Alcolumbre estranham movimento para reenviar nome de Messias ao STF
Aliados de Alcolumbre estranham reenvio de Messias ao STF

O círculo mais próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi surpreendido pela movimentação de uma ala do governo que defende o reenvio do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Interlocutores diretos de Alcolumbre classificaram a iniciativa como “estranha”, especialmente considerando o contexto político após a rejeição do nome de Messias no Senado.

Segundo relatos, a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alcolumbre se deteriorou desde o episódio da rejeição de Messias, considerado uma das principais derrotas do governo no Congresso neste mandato. Até o momento, os dois não conversaram diretamente sobre o assunto.

Movimentação sem consenso

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o próprio Lula não está tratando de uma nova indicação de Jorge Messias neste momento. A movimentação em favor do reenvio parte de setores do PT, mas não encontra consenso no núcleo mais próximo do presidente. Auxiliares de Lula afirmam que o governo precisa avaliar todos os cenários com cautela antes de tomar qualquer decisão, reconhecendo que uma nova tentativa pode resultar em outra derrota no Senado.

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Risco de nova rejeição

Uma liderança do PT ouvida pelo blog admite que, caso o nome de Messias seja reapresentado, há “grande chance” de rejeição novamente. Embora Lula possa reenviar o nome, o regimento interno do Senado veda uma reanálise na mesma sessão legislativa, ou seja, ainda em 2026. Assim, a iniciativa teria mais um caráter político de sinalização do que a expectativa de aprovação.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestou-se nas redes sociais a favor de uma nova indicação de Messias ao STF. Outro fator considerado por integrantes do governo é o calendário político. Diante do ambiente adverso no Senado, uma eventual indicação poderia ficar parada até depois das eleições. Alcolumbre já teria sinalizado que não deve pautar a análise de nomes indicados por Lula antes do pleito de outubro.

Alternativa de indicar uma mulher

Uma outra ala do governo defende que Lula adote uma alternativa: indicar uma mulher para a vaga aberta no Supremo. A leitura é que essa escolha poderia aumentar a pressão política sobre o Senado e colocar os parlamentares em uma situação mais delicada caso optem por rejeitar a indicação.

Entenda as regras

Pela Constituição de 1988, a indicação ao STF só é efetivada após aprovação da maioria absoluta do Senado. Quando um nome é rejeitado, a nomeação não se concretiza e a escolha volta à esfera do presidente da República. Cabe ao chefe do Executivo decidir se apresenta um novo nome ou insiste na mesma indicação.

A Constituição não proíbe expressamente o reenvio de um nome já rejeitado. No entanto, uma norma interna do Senado – um ato da Mesa de 2010 – estabelece que indicações recusadas pela Casa não podem ser reapreciadas na mesma sessão legislativa, que vai de 1º de fevereiro a 15 de dezembro.

Na prática, isso significa que Lula poderia reenviar o nome de Jorge Messias, mas a análise ficaria impedida em 2026. A eventual nova avaliação pelo Senado só poderia ocorrer na sessão legislativa seguinte, em 2027 – e dependeria, inclusive, da continuidade do atual governo após as eleições.

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