Governo de Minas dobra multa da Vale para R$ 3,3 milhões após vazamentos em minas
O governo do estado de Minas Gerais decidiu dobrar o valor da multa aplicada à mineradora Vale, elevando-a de R$ 1,7 milhão para R$ 3,3 milhões. A medida foi tomada após a identificação de falhas nos sistemas de drenagem em duas minas da empresa, localizadas nos municípios de Ouro Preto e Congonhas. Essas falhas resultaram em vazamentos registrados no último domingo, 25 de janeiro de 2026.
Detalhes dos incidentes e posicionamentos divergentes
De acordo com as autoridades mineiras, os vazamentos ocorreram devido a problemas nas estruturas de drenagem, com ao menos um dos eventos em Congonhas levando rejeitos de minério a cursos d’água da região. No entanto, a Vale emitiu um comunicado afirmando que houve apenas extravasamento de água com sedimentos, sem transporte de rejeitos, e que não houve feridos nem impacto direto à população. A empresa também reforçou que os episódios não têm relação com barragens, que permaneceriam estáveis e sob monitoramento constante.
Histórico de reincidência influencia decisão
Um fator crucial para o aumento da multa foi o histórico de reincidência da Vale. Em agosto de 2023, a empresa já havia sido multada por danos ambientais em Brumadinho, um caso que ainda ressoa na memória coletiva. Pela legislação estadual de Minas Gerais, a repetição de infrações ambientais em um período inferior a três anos configura reincidência, o que permite a aplicação de penalidades mais severas. Essa regra foi invocada pelo governo mineiro para justificar a elevação do valor da multa, destacando a necessidade de medidas mais rigorosas diante de falhas recorrentes.
Impactos e contexto regulatório
Os vazamentos recentes acenderam um alerta sobre a eficácia dos sistemas de controle ambiental nas operações de mineração em Minas Gerais, um estado com tradição nesse setor econômico. O governo estadual enfatizou que a decisão de dobrar a multa visa não apenas punir, mas também prevenir futuros incidentes, reforçando a importância do cumprimento das normas ambientais. Enquanto isso, a Vale mantém sua posição de que os eventos foram menores e controlados, sem riscos significativos. A situação reflete tensões contínuas entre a indústria extrativista e as demandas por sustentabilidade e segurança pública.