O presidente chinês, Xi Jinping, destacou a amizade 'inquebrável' entre China e Paquistão ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em Pequim nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026. A visita celebra os 75 anos de relações diplomáticas entre as duas nações, mas ganha relevância especial devido ao papel do Paquistão como mediador no conflito entre Estados Unidos e Irã.
Paquistão como mediador chave
O Paquistão está entre o seleto grupo de países que a China considera 'parceiro estratégico para todos os climas'. Momentos antes do encontro, Xi afirmou que 'apesar das instabilidades do mundo, a China sempre priorizou as relações com o Paquistão na vizinhança', pedindo maior cooperação em agricultura, indústria, inteligência artificial e capacitação de talentos, conforme informou a emissora estatal chinesa CCTV.
Sharif, por sua vez, defendeu o multilateralismo e chamou os dois países de 'irmãos de ferro'. A reunião deve abordar o conflito no Oriente Médio e, principalmente, a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima vital por onde passa 20% do petróleo mundial.
CPEC e Nova Rota da Seda
As autoridades também devem discutir o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), megaprojeto de infraestrutura que conecta o porto de Gwadar, no Mar Arábico, à região de Xinjiang, no noroeste chinês, por meio de rodovias, ferrovias, gasodutos e zonas econômicas especiais. O CPEC é parte central da Nova Rota da Seda chinesa.
Sharif viajou acompanhado do chefe do exército paquistanês, Asim Munir, que esteve recentemente em Teerã para reuniões com lideranças iranianas. O Paquistão mantém boas relações com iranianos e americanos — inclusive endossaram a candidatura de Donald Trump ao Nobel da Paz, que nunca se concretizou — e emergiu como mediador do conflito entre EUA, Israel e Irã, tendo papel fundamental no cessar-fogo temporário anunciado em abril. Segundo autoridades iranianas, todas as mensagens a Washington continuam sendo transmitidas pelo governo paquistanês.
Contexto global
A visita de Sharif ocorre após Xi receber o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, em um momento em que Pequim busca se posicionar como ponto central da diplomacia global.



