Xi e Putin: China e Rússia são 'forças estabilizadoras' em meio a tensões com Trump
Xi e Putin: 'forças estabilizadoras' contra a 'lei da selva'

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta quarta-feira, 20, que o mundo corre o risco de regredir à 'lei da selva' e elogiou a relação entre China e Rússia, dizendo que, juntas, as nações são 'uma força estabilizadora global'. As declarações ocorreram durante a visita do líder russo, Vladimir Putin, a Pequim, poucos dias após a cúpula com Donald Trump na capital chinesa.

Cerimônia pomposa e acordos bilaterais

Antes do início das conversas no Grande Salão do Povo, uma cerimônia com muita pompa viu soldados chineses marcharem em sincronia enquanto uma banda militar tocava os hinos nacionais russo e chinês. Crianças agitavam bandeiras de ambos os países e gritavam 'Bem-vindos, bem-vindos!', antes de Putin e Xi entrarem no Grande Salão, numa cena que lembrou o encontro com Trump na semana passada.

As tratativas entre Xi e Putin começaram com uma reunião mais curta, em formato restrito, com um número menor de delegados para discutir questões sensíveis. Em seguida, realizaram uma conversa em formato amplo com suas respectivas delegações, que terminou por volta das 14h locais (3h em Brasília).

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Relações de alto nível e 'lei da selva'

Após as reuniões, os dois participaram de uma cerimônia de assinatura de diversos pactos abrangendo tecnologia, comércio, pesquisa científica e propriedade intelectual. Entre os documentos, segundo a mídia estatal chinesa, estava uma extensão do 'Tratado China-Rússia de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa', assinado pela primeira vez há 25 anos.

'Nossas relações estão no mais alto nível de parceria estratégica abrangente', declarou Xi após a assinatura, pedindo que ambos os países se opusessem a 'toda intimidação unilateral' na arena internacional. Antes disso, ele já havia alertado que o mundo corria o risco de retornar à 'lei da selva', em aparente alfinetada a Trump, casando a declaração com a avaliação de que novas hostilidades no Oriente Médio eram 'inaconselháveis' e que um 'cessar-fogo abrangente é de extrema urgência'.

Putin, por sua vez, elogiou a relação com a China, afirmando que está 'em um nível sem precedentes', e disse que Moscou continua sendo um 'fornecedor confiável de energia' em meio à crise no Oriente Médio. O líder russo também convidou Xi para visitar a Rússia no próximo ano.

Agenda amistosa e comércio

Comércio e investimentos recíprocos provavelmente estarão no topo da agenda de Putin, visto que sua economia, afetada por sanções, sofre com o crescente custo da guerra na Ucrânia. A China, maior parceira comercial de Moscou, compra quase metade das exportações de petróleo russas.

Em contraste com a natureza conflituosa da relação entre Washington e Pequim, Putin e Xi, que costumam referir-se um ao outro como 'queridos e velhos amigos', demonstraram crescente proximidade nos últimos anos. As calorosas saudações voltaram nesta quarta, quando Putin lembrou um provérbio chinês: 'Mesmo que não nos vejamos há um dia, parece que três outonos se passaram'.

O contexto e a maneira como Xi se encontra com outros líderes mundiais são frequentemente vistos como um sinal da consideração do presidente chinês por seu convidado, e a imagem e os resultados de seu encontro com Putin estão sob escrutínio adicional por terem ocorrido logo após a visita de Trump.

Questionado pela mídia estatal sobre como a cúpula de Putin se compara à de Trump, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que 'nem sempre é fácil comparar', pois 'nem tudo é mostrado na superfície'. Peskov acrescentou: 'O principal valor reside no conteúdo, não nos aspectos cerimoniais'.

Enquanto Xi se preparava para receber Putin, o Ministério do Comércio chinês confirmou a compra de 200 jatos da Boeing, que Trump havia anunciado na semana passada. Também veio a notícia de que Pequim quer uma extensão do acordo comercial com os Estados Unidos, firmado em Kuala Lumpur em outubro de 2025. Além disso, a agência de notícias russa Interfax sugeriu que pode haver um encontro entre Putin e Trump em novembro, às margens da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que será sediada na China.

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