Volkswagen estuda ceder fábricas na Alemanha para montadoras chinesas de veículos elétricos
VW cogita abrir fábricas na Alemanha para chinesas de elétricos

Em meio a uma das maiores crises de sua história, a Volkswagen estuda a possibilidade de liberar parte das linhas de produção ociosas em suas fábricas na Alemanha para montadoras chinesas de veículos elétricos. A medida visa aproveitar a capacidade instalada e preservar postos de trabalho. Um dos focos dessa mudança pode ser a planta de Zwickau, localizada no estado da Saxônia, no leste do país.

Oportunidade ou risco?

Na semana passada, o secretário saxão de Economia, Dirk Panter, declarou que "a China é uma oportunidade" e que, "se vermos essa chance, devemos aproveitá-la". Ele afirmou: "Nosso critério não é a ideologia, mas a viabilidade industrial futura e a segurança dos postos de trabalho da Volkswagen na Saxônia". A planta de Zwickau recebeu um investimento de 1,5 bilhão de euros em 2019 para ser dedicada exclusivamente à produção de veículos elétricos, mas nunca atingiu sua capacidade total. Agora, a ideia é que algumas linhas possam ser utilizadas por fabricantes chineses, garantindo a continuidade das operações e dos empregos.

Apoio político e reações

O governador da Baixa Saxônia, Olaf Lies, também se mostrou aberto à possibilidade de chineses produzirem em plantas ociosas da Volkswagen. A posição de Lies tem peso significativo, já que o estado detém 20% das ações do grupo Volkswagen. Segundo análise do semanário alemão Die Zeit, "são declarações que, há apenas alguns anos, teriam sido consideradas heresia em Wolfsburg", sede mundial da montadora. O jornal destacou que, por décadas, a Alemanha exportou tecnologia automotiva para a China, mas agora discute trazer tecnologia e marcas chinesas para suas próprias fábricas, devido à capacidade ociosa e ao risco de milhares de empregos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Crise e reestruturação

A Volkswagen enfrenta dificuldades com a transição para carros elétricos, que ocorre mais lentamente que o planejado. Enquanto isso, montadoras chinesas ganham força no mercado europeu, que sofre com tarifas dos EUA, altos custos de energia e mão de obra. A empresa registrou queda de 44% no lucro líquido em 2025 e anunciou um plano de reestruturação com corte de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030.

Negociações com chinesas desde 2024

Segundo o jornal Handelsblatt, conversas com montadoras chinesas ocorrem desde 2024. Foram discutidas colaborações com a SAIC, estatal chinesa e parceira da Volkswagen, que poderia usar uma fábrica em Emden, no noroeste do país. No entanto, as negociações não tiveram sucesso. O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, já havia colocado em dúvida a continuidade das operações em Emden e Zwickau, além de Hannover e Neckarsulm (da Audi). O grupo analisa cenários como trazer tecnologia da China para a Europa ou disponibilizar capacidade ociosa para parceiros como a Xpeng, na qual detém 5% de participação. A direção rejeita, por enquanto, a venda de fábricas inteiras para concorrentes como a BYD.

Preocupações com espionagem industrial

Na última quarta-feira, o secretário de Economia da Saxônia defendeu o investimento chinês, mas membros de outros partidos alertaram para riscos. O deputado Wolfram Günther afirmou: "A China é um dos Estados mais agressivos quando se trata de espionagem". Ele mencionou que negociações entre Saxônia e Taiwan no setor de semicondutores podem gerar desafios adicionais. A líder do partido A Esquerda, Susanne Schaper, citou a empresa SRW metalfloat, controlada por chineses, onde trabalhadores relataram confrontos com o proprietário.

O jornal Die Zeit concluiu: "A ideia é provocadora: fábricas alemãs, trabalhadores alemães qualificados, tradição de engenharia alemã — mas marcas chinesas e tecnologia chinesa. O debate toca em um ponto nevrálgico, pois é mais do que apenas uma questão de política industrial; diz respeito também à imagem que a Alemanha tem de si como nação produtora de automóveis".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar