Turistas ignoram violência paramilitar no paraíso colombiano de Tayrona
Turistas ignoram violência paramilitar em Tayrona

O Parque Nacional de Tayrona, na Colômbia, conhecido por suas águas cristalinas e paisagens paradisíacas, esconde uma realidade sombria de violência paramilitar. Comerciantes e povos indígenas vivem sob constante medo devido à atuação de grupos armados que controlam a região.

Ameaças ocultas no paraíso

Na Sierra Nevada de Santa Marta, turistas se divertem sem perceber os esquadrões camuflados que os vigiam. Esses grupos extorquem comércios locais e semeiam terror nas comunidades originárias, cujo conhecimento ancestral é Patrimônio da Humanidade pela Unesco. "Temos medo, angústia pelo futuro", afirma Atanasio Moscote, governador do povo kogui.

Quem são os responsáveis?

Por trás da violência estão as Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), grupo de origem paramilitar que financia suas atividades com o controle de rotas do narcotráfico na montanha costeira mais alta do mundo. O presidente Gustavo Petro fechou o Parque Tayrona por duas semanas em fevereiro e março devido a extorsões e ameaças contra guardas-parques.

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"Nossa presença é vital para conservar os recursos", diz Yeiner Hernández, guarda-parque de 31 anos, que enfrenta advertências por seu trabalho de proteção.

Impacto nas comunidades indígenas

Tayrona abriga a floresta seca mais bem preservada do país e ecossistemas marinhos ricos, atraindo mergulhadores. Em 2025, as áreas protegidas receberam mais de 873 mil visitantes. Historicamente, grupos criminosos disputam a região, mas os indígenas afirmam que a violência atual é pior. "Esses grupos afetam uma comunidade onde 95% são nativos que não falam espanhol", diz Luis Salcedo, governador arhuaco.

A guerra do Clã do Golfo, principal cartel de narcotráfico, intensifica os combates perto das comunidades indígenas. A política de "paz total" de Petro não avançou, e o conflito se agravou.

Consequências econômicas

Para o setor turístico, a violência prejudica a reputação. "Afeta o número de visitantes. Quem faria turismo na Ucrânia?", questiona Ómar García, presidente da associação hoteleira de Santa Marta.

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