Tragédia na Bahia: incêndio que matou três crianças começou em colchão
Incêndio que matou três crianças na BA começou em colchão

A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) investiga se as quatro crianças vítimas de um incêndio enquanto estavam sozinhas em casa, na cidade de Serrinha, no interior do estado, também sofriam maus-tratos. Três delas morreram e uma foi hospitalizada com ferimentos. A informação foi divulgada pelo delegado James Moura, responsável pelo caso.

Como o incêndio começou

O incêndio ocorreu na manhã do último domingo (3), após uma das crianças atear fogo em um colchão enquanto brincava com um isqueiro dentro da residência. De acordo com o delegado, o ambiente era insalubre e apresentava condições de sobrevivência inadequadas. "No interior da residência, foi possível constatar que se tratava de um ambiente insalubre, com condições de sobrevivência inapropriadas. Então, a Polícia Civil da Bahia também vai apurar se existiu a caracterização de crime de maus-tratos", destacou Moura.

Mãe presa por abandono

A mãe das crianças, Cristina Nascimento de Jesus, de 27 anos, havia saído na noite de sábado (2) para uma festa e retornou em visível estado de embriaguez. Um vídeo feito por testemunhas mostra a mulher entrando no imóvel ainda sem saber o que havia ocorrido e depois saindo presa. Ela foi autuada em flagrante pelo crime de abandono de incapaz. Após audiência de custódia, a prisão foi convertida para preventiva, e ela será encaminhada ao Conjunto Penal de Feira de Santana.

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"Através de diligências investigativas foi possível localizar vídeos em que a genitora das crianças se encontrava em um evento festivo, ingerindo bebidas alcoólicas, confirmando, então, a situação de abandono", pontuou o delegado.

Tentativa de resgate

No momento do incêndio, apenas uma das crianças, uma menina de 7 anos, conseguiu escapar e pedir socorro. O servidor público Marcos Manoel Silva, vizinho da família, relatou emocionado a tentativa de resgate. "Eu desci, peguei a serra, cortei o cadeado, acolhi ela na minha casa e, quando eu cheguei lá, não tinha mais condição de entrar mais", destacou. As vítimas fatais foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos; Samuel Nascimento de Almeida, de 4 anos; e Ismael Nascimento de Jesus Borges, de 11 meses.

Histórico de acompanhamento

O Conselho Tutelar informou que as crianças já haviam sido acolhidas institucionalmente em dezembro de 2025, após o Ministério Público apontar possível violação de direitos relacionada a condições precárias de higiene e saúde. Os menores permaneceram acolhidos por cerca de 30 dias, mas foram devolvidos à família após avaliação técnica indicar que não havia negligência intencional, e sim necessidade de orientação. A família passou a ser acompanhada por serviços de assistência social. Posteriormente, informou que havia retornado para Serrinha.

Pai pretendia buscar crianças

O pai das crianças, Joselito Almeida, que ainda mora no Rio Grande do Sul, contou que recebeu a notícia por telefone e que pretendia buscar os filhos em junho. "Disseram: 'venha buscar seus meninos, seus meninos acabaram de morrer'. Meu celular caiu no chão, entrei em desespero, comecei a me tremer", relembrou. Segundo ele, a ex-companheira costumava beber e sair para festas. Houve uma tentativa para que a irmã dele buscasse as crianças na Bahia, mas a mãe não permitiu.

Avô preso por homicídio

O avô paterno das crianças, um idoso de 70 anos, foi preso na segunda-feira (4) ao chegar no Aeroporto Internacional de Salvador, para acompanhar o filho. Segundo a Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter), ele tinha um mandado de prisão preventiva em aberto pelo crime de homicídio, referente a um crime ocorrido em 11 de outubro de 1998, em Salvador. Conforme as investigações, o suspeito e outros homens teriam matado uma pessoa a facadas. Ele foi conduzido por policiais militares até a unidade policial, passou por exames de praxe e permanece à disposição da Justiça.

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