A cidade de Morada Nova, localizada no interior do Ceará, registrou a prisão de seis vereadores em 2026, todos suspeitos de envolvimento com uma organização criminosa. O último detido foi José Weder Basílio Rabelo (PP), capturado nesta terça-feira (5) durante a Operação Consorte, que mirava o braço financeiro de uma facção responsável por movimentar cerca de R$ 500 milhões.
Operação Consorte
A ação desta terça-feira contou com 108 policiais federais e civis, divididos em 27 equipes, que cumpriram 27 mandados de busca e apreensão e seis de prisão, expedidos pela 93ª Zona Eleitoral. As ordens foram executadas em Fortaleza, Aquiraz, Morada Nova, Jaguaribara, Ibicuitinga (CE) e Belo Horizonte (MG). A investigação é um desdobramento da Operação Traditori, que em março já havia prendido cinco parlamentares da cidade.
Defesa de Weder Basílio
O advogado Igor Cesar Rodrigues, que defende José Weder, afirmou em nota que a defesa não teve acesso ao conteúdo da decisão de prisão nem aos autos do inquérito. Ele criticou a divulgação de informações pela imprensa e pelo delegado responsável, classificando a prisão como ilegal. "É um absurdo que a atividade empresarial por si só esteja sendo tomada como um crime, tão somente em razão da movimentação de altos valores financeiros", disse. A defesa promete tomar todas as providências jurídicas para revogar a prisão e esclarecer os fatos.
Vereadores presos em março
Na Operação Traditori, foram presos Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), presidente da Câmara; Lucia Gleidevania Rabelo (PT), secretária da mesa diretora; Claudio Roberto Chaves da Silva (PT); José Regis Nascimento Rumão (PP); e José Gomes da Silva Júnior (PSB). O advogado Fernandes Neto informou que o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará concedeu habeas corpus a Hilmar Sérgio e Gleidevania Rabelo, reconhecendo a impropriedade da prisão preventiva por falta de contemporaneidade em relação às eleições de 2024. Eles foram soltos, mas com medidas cautelares e uso de tornozeleira eletrônica.
Esquema financeiro
As investigações apontam que o grupo utilizava mecanismos sofisticados para ocultar e dissimular recursos ilícitos, com ramificações em outros estados. A Operação Consorte busca aprofundar a identificação desses mecanismos e interromper o fluxo financeiro da organização criminosa, investigando crimes de lavagem de dinheiro e delitos correlatos.



