O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou nesta segunda-feira, 27, uma nova rodada de avaliações estratégicas sobre o conflito com o Irã. A ação ocorre após Teerã apresentar, por meio de mediadores, uma proposta para encerrar as hostilidades e restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo.
Apesar da abertura para análise, a Casa Branca indicou que Trump mantém condições consideradas inegociáveis: a retomada plena da navegação em Ormuz e a entrega, por parte do Irã, de seu estoque de urânio enriquecido. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que Trump debateu o plano com sua equipe de segurança nacional, mas evitou antecipar qualquer decisão. “Houve uma discussão nesta manhã, mas o presidente falará diretamente sobre o tema”, afirmou.
Detalhes da proposta iraniana
Segundo informações divulgadas pelo portal americano Axios, a proposta iraniana prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, atualmente severamente restringido, em troca da suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. O tema nuclear, principal ponto de tensão entre Washington e Teerã, seria deixado para negociações posteriores.
A posição americana, porém, permanece rígida. Trump insiste que qualquer acordo duradouro exige não apenas a livre circulação no Estreito de Ormuz, mas também a entrega do urânio enriquecido iraniano — condição que Teerã historicamente rejeita.
Apoio russo ao Irã
A movimentação diplomática ocorre em paralelo ao fortalecimento do apoio russo ao regime iraniano. Também nesta segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em São Petersburgo o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e prometeu fazer “tudo” ao alcance de Moscou para garantir que o Irã encerre a guerra em seus próprios termos. Putin reafirmou a aliança estratégica entre os dois países, aprofundada após tratados recentes de cooperação em inteligência e segurança, consolidando a Rússia como principal respaldo internacional da República Islâmica no atual cenário.
Antes de chegar à Rússia, Araqchi passou por Paquistão e Omã, países que atuam como mediadores e possuem papel central nas negociações envolvendo o futuro do Estreito de Ormuz. Omã, inclusive, compartilha com o Irã a administração da passagem marítima.
Impactos no comércio global
A proposta iraniana surge após semanas de confrontos que abalaram a segurança energética global e reduziram drasticamente o fluxo comercial na região. Antes da guerra, entre 125 e 140 navios atravessavam diariamente o estreito; atualmente, o número caiu para apenas algumas dezenas.
Mesmo com sinais de tentativa diplomática, a retórica de Trump indica que Washington continuará pressionando economicamente Teerã. Em entrevista recente à Fox News, o presidente afirmou que pretende manter o estrangulamento das exportações de petróleo iranianas para forçar concessões mais amplas nas próximas semanas.



