Três superpetroleiros começaram a cruzar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (20), após mais de dois meses de espera no Golfo Pérsico em razão da guerra no Irã. As embarcações transportam um total de seis milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio para os mercados asiáticos, segundo dados de navegação da LSEG e da Kpler. Os navios fazem parte de um grupo que saiu do Golfo neste mês por uma rota alternativa indicada pelo Irã.
Riscos no Estreito de Ormuz
Antes do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz era, em média, de 125 a 140 passagens diárias. Esse volume caiu para cerca de 10 embarcações nos últimos dias, incluindo navios de carga e outros tipos. Os navios-tanque de petróleo, no entanto, ainda representam uma parcela pequena das embarcações que passam pelo Estreito, segundo análise da Reuters baseada em dados de rastreamento. Desde o início do conflito, cerca de 20 mil tripulantes permanecem presos no Golfo, a bordo de centenas de navios.
O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos, afirmou em nota divulgada na terça-feira (19) que "o ambiente operacional permanece de alto risco, devido aos recentes ataques a navios na região". Nesta quarta-feira, associações do setor de transporte marítimo emitiram novas orientações a embarcações que pretendem navegar pelo estreito, apontando diversos riscos — entre eles, ataques, ameaças de drones e minas, congestionamento imprevisível do tráfego e "supervisão militar reduzida".
"Centenas de embarcações continuam impossibilitadas de transitar pelo Estreito de Ormuz e, em caso de retorno a condições mais normais de navegação, o movimento simultâneo dessas embarcações no local pode representar um risco considerável", disseram as associações na orientação.
Impacto nos mercados globais
A restrição na passagem do Estreito de Ormuz tem preocupado os mercados globais, em meio ao receio de que uma oferta mais restrita de petróleo continue a pressionar os preços pelo mundo. Em meio a incertezas sobre as negociações de paz entre os EUA e o Irã, os preços do petróleo recuam nesta quarta-feira (20). Perto das 10h, o barril do Brent (referência internacional) tinha queda de 2,23%, cotado a US$ 108,80. Já o West Texas Intermediate (WTI), do mercado americano, caía 0,82% no mesmo horário, a US$ 107,77.



