Rússia quer construir usinas nucleares no Brasil e países estudam acordo, diz embaixador
O embaixador da Rússia no Brasil, Alexei Labetsky, afirmou nesta segunda-feira, 25 de maio, que os governos brasileiro e russo estão trabalhando em um novo acordo de colaboração na área de energia nuclear. Segundo o diplomata, há boas perspectivas para que a estatal russa Rosatom atue em solo brasileiro, fornecendo tecnologia para a construção de usinas atômicas e radioisótopos para pesquisas científicas e saúde.
Negociações em andamento
Labetsky fez as declarações durante uma reunião da Comissão Intergovernamental Brasileiro-Russa de Comércio, Cooperação Econômica, Científica e Técnica, em Brasília. “As negociações sobre o tema estão em andamento, e há muitas questões técnicas”, disse o embaixador, segundo a agência de notícias Interfax. Ele completou: “A Rosatom está ativa aqui e tem boas perspectivas”.
A Rosatom, com forte apoio do governo russo, consolidou-se como uma das principais empresas de energia nuclear do mundo. A estatal atua em todas as etapas da cadeia atômica, desde a mineração e enriquecimento de urânio até a operação de reatores e gestão de resíduos nucleares. A companhia já construiu reatores em países como China, Índia, Egito e Turquia, e mantém dezenas de acordos estratégicos globalmente.
Parceria de longo prazo
O ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov, destacou que a empresa é capaz de atender às necessidades das usinas nucleares brasileiras e fornecer radioisótopos essenciais para a ciência e a saúde. “Vemos perspectivas na construção de unidades de energia adicionais projetadas pela Rússia, tanto de grande quanto de pequena capacidade”, afirmou Reshetnikov.
Os comentários indicam o avanço de uma parceria que vem se desenvolvendo há algum tempo entre Moscou e Brasília. Em fevereiro, o governo brasileiro assinou uma declaração para intensificar a cooperação em setores promissores, incluindo estudos nucleares. O documento enfatizou que o foco é o uso pacífico da energia nuclear, sem envolvimento militar ou transferência de tecnologia bélica.
Contexto internacional
Apesar das sanções econômicas impostas à Rússia devido à guerra na Ucrânia, o país continua sendo um grande exportador de usinas nucleares. Mais de um terço dos novos reatores em desenvolvimento no mundo têm participação russa — uma posição dominante que preocupa o Ocidente. “Talvez na América do Norte e na Europa estejamos escolhendo não trabalhar com a Rússia em indústrias críticas, mas em muitos outros países eles não se importam”, disse a diretora-geral da Associação Nuclear Mundial, Sama Bilbao y León.
A parceria entre Brasil e Rússia na área nuclear promete fortalecer os laços bilaterais e trazer avanços tecnológicos para o país, especialmente nos setores de energia e saúde.



