O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo de Belarus, Alexander Lukashenko, supervisionaram nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, os maiores exercícios nucleares conjuntos desde a Guerra Fria. Realizados por videoconferência, os testes envolveram mísseis com capacidade atômica e simularam lançamentos por terra, mar e ar. Embora autoridades militares participem regularmente de treinamentos similares, esta foi a primeira vez que os chefes de Estado acompanharam a operação diretamente.
Objetivo dos exercícios
Putin declarou que o treinamento conjunto visa garantir a soberania da Rússia e de Belarus em meio ao aumento das tensões globais. “Hoje, como parte dos exercícios, estamos realizando o primeiro treinamento conjunto dos exércitos russo e bielorrusso na gestão de forças nucleares estratégicas e táticas”, afirmou durante a abertura da reunião, transmitida ao vivo pelo site do Kremlin. Os exercícios começaram na terça-feira, 19, com foco na coordenação entre oficiais militares em cenários de uso de armas atômicas.
Lukashenko destacou que as operações são defensivas e visam preparar as forças armadas para manusear o arsenal nuclear. “Quem possui tais bombas deve saber como utilizá-las”, disse. Putin, por sua vez, enfatizou que a capacidade de usar armas nucleares por terra, mar e ar é a “confiável garantia da soberania do Estado da União”, mas garantiu que qualquer emprego atômico será uma “medida extrema e excepcional para garantir a segurança nacional”.
Detalhes dos testes
O Ministério da Defesa russo divulgou vídeos mostrando veículos lançadores de mísseis atravessando florestas, caças-bombardeiros e jatos de combate com capacidade nuclear decolando, além de navios e submarinos no mar. “As formações e unidades militares das forças de mísseis estratégicos realizaram medidas para colocar suas forças em prontidão para executar tarefas de combate que envolvam lançamentos de mísseis”, informou a pasta. Munições nucleares foram entregues a instalações de armazenamento na Bielorrússia.
Os exercícios envolveram 64 mil pessoas e são considerados um dos maiores realizados em anos, treinando as forças na “preparação e uso de forças nucleares em caso de agressão”.
Reação internacional
A condução dos testes gerou forte preocupação nos países da Otan e na Ucrânia, que está em guerra contra a Rússia desde 2022. Kiev acusa Moscou de planejar uma nova ofensiva a partir de Belarus e reforçou a segurança na fronteira. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que a Europa responderá “com força” às ameaças “inaceitáveis” da Rússia.
Embora Putin e Lukashenko tentassem amenizar as preocupações, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu o caráter simbólico: “Qualquer exercício faz parte do desenvolvimento militar, e qualquer exercício é um sinal”. Segundo Moscou, os testes visam garantir a soberania e preparar as forças para um cenário extremo, mas o Ocidente vê a ação como uma provocação direta.



