O historiador Fernando Antonio Novais, uma das maiores referências da historiografia brasileira, morreu nesta quinta-feira (30) aos 93 anos, em São Paulo. Ele foi o responsável por redefinir o entendimento sobre o antigo sistema colonial português e sua relação com o Brasil, estabelecendo novos parâmetros para a pesquisa histórica no país.
Trajetória acadêmica
Doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) em 1973, Novais ingressou como docente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP em 1961, onde lecionou na cadeira de História Moderna e Contemporânea até 1986. Sua tese de doutorado, intitulada Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial, é considerada um clássico da historiografia nacional, combinando análise econômica e política de forma inovadora.
Reconhecimento e legado
Em 14 de dezembro de 2006, Novais foi nomeado o 38º Professor Emérito da FFLCH, em reconhecimento à sua contribuição intelectual. Além de sua produção bibliográfica, ele deixou um importante legado na formação de alunos e na criação de espaços de reflexão acadêmica.
Atuação em grupos de estudo
Novais foi um dos articuladores do famoso “Grupo do Capital” (ou Seminário Marx) no final dos anos 1950, ao lado de intelectuais como José Arthur Giannotti e Fernando Henrique Cardoso. Esse movimento inovou a leitura da obra de Karl Marx no Brasil, influenciando gerações de pesquisadores.
Passagem por outras instituições
Sua trajetória de gestão e ensino estendeu-se também à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde lecionou no Instituto de Economia entre 1986 e 2003, e mais recentemente à Faculdade de Campinas (Facamp).
Nota de pesar
Em nota oficial, a direção da FFLCH manifestou “imenso pesar e sentimento de solidariedade às e aos familiares e colegas” do historiador. A comunidade acadêmica lamenta a perda de um dos maiores expoentes da historiografia brasileira.



