O líder guerrilheiro colombiano Iván Mordisco, considerado o homem mais procurado do país, está desafiando abertamente as eleições presidenciais ao promover o pior ataque contra civis registrado na Colômbia em décadas. O presidente Gustavo Petro o compara a Pablo Escobar desde que Mordisco abandonou as negociações de paz com o governo, em 2024.
Ataques coordenados no sudoeste do país
Pelo menos 31 ataques atribuídos à guerrilha de Mordisco foram registrados no sudoeste da Colômbia durante o fim de semana. Entre eles, a detonação de uma bomba em uma rodovia deixou 21 mortos e 56 feridos. Drones explosivos e carros-bomba tornaram-se a marca registrada do comandante do maior grupo dissidente das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que realizou demonstrações de força às vésperas das eleições gerais marcadas para 31 de maio.
Quem é Iván Mordisco?
Mordisco, cujo nome verdadeiro é Néstor Gregorio, foi um ex-comandante das Farc que se recusou a assinar o acordo de paz que desarmou o grupo em 2016. Após a dissolução, organizou uma facção dissidente que permaneceu armada, financiada pelo narcotráfico. Hoje, comanda cerca de 3.200 combatentes que se financiam com tráfico de cocaína, mineração ilegal, extorsão e outros crimes.
Usando óculos escuros, Mordisco ordenou o ataque do fim de semana que, segundo o governo de Gustavo Petro, vitimou 21 civis. Considerado um atirador de elite, ele se juntou à guerrilha ainda adolescente e conquistou respeito por sua proficiência com fuzis e explosivos. Enquanto as Farc depunham as armas para se tornar um partido político, Mordisco permaneceu na selva, semeando o terror e utilizando os emblemas históricos do antigo grupo marxista.
Rejeição ao acordo de paz
Mordisco não participou das negociações de paz em Havana e deixou claro que não deporia suas armas. O ex-segundo em comando das Farc, Iván Márquez, enviou o líder Gentil Duarte para persuadi-lo, mas Duarte acabou se juntando a Mordisco, abandonando o pacto com o então presidente Juan Manuel Santos. Mordisco afirmava que o acordo era de 'morte' e 'desapropriação', beneficiando apenas a liderança das Farc.
As Forças Armadas estimam que os grupos dissidentes se fortaleceram rapidamente por meio de negócios ilícitos, recrutamento forçado e aliciamento de jovens em plataformas como o TikTok. Em abril de 2023, Mordisco fez sua única aparição pública, chegando em um SUV blindado de luxo para anunciar negociações com Petro.
Rompimento das negociações e caçada
Em 2024, Mordisco rompeu as negociações de paz com Petro, que o chamou de 'traqueto' (termo para narcotraficante). 'Quero Iván Mordisco capturado vivo, não morto', declarou Petro, lançando uma caçada com recompensas milionárias. Sua morte foi noticiada em 2022 pelo governo de Iván Duque, mas o rebelde reapareceu em vídeo. Petro o considera a principal ameaça à segurança do país, mergulhado em mais de seis décadas de conflito.
Em vídeos, Mordisco afirma estar 'do lado dos pobres' e ser defensor do meio ambiente, enquanto é acusado de assassinar policiais, civis e líderes sociais. Pesquisadores o descrevem como um comandante implacável que ordena execuções por traição ou corrupção.
Reações aos ataques
A 'onda terrorista' é uma resposta a operações militares na região, declarou o ministro da Defesa, classificando as ações como 'crimes de guerra'. O presidente Petro tachou os guerrilheiros de 'terroristas' e ordenou que a força pública redobre operações. Os principais candidatos presidenciais condenaram a violência. O país vai às urnas em 31 de maio, com a segurança como tema central.



