Lula propõe parceria com EUA em terras raras e apela a Trump para cessar rivalidade com China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira, 18, que pretende discutir futuramente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a exploração de terras raras no Brasil. Durante cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, Lula afirmou que deseja convencer Trump a “deixar de brigar” com o presidente chinês, Xi Jinping. A China domina 61% da mineração global de terras raras.
“Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos e não sei das quantas e o Brasil só tem 30% de conhecimento do que tem nesse seu território imenso. E vai ter que fazer um levantamento de 100% do Brasil. Eu estava pensando: o que o Sirius pode contribuir fazer pra gente? Porque, se a gente depender de fazer estudo cavando buraco, vai demorar muito”, disse Lula. “A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês pra gente dar um salto e ver, se em um curto espaço de tempo, a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, acrescentou.
Reunião com Trump e projeto de lei
No início de maio, Lula esteve na Casa Branca para uma reunião com Trump, da qual saiu “muito satisfeito”, conforme declarou em coletiva de imprensa. Segundo o líder brasileiro, os dois discutiram vários “tabus”, incluindo as terras raras. Lula informou a Trump sobre o projeto de lei “extraordinário” aprovado pela Câmara, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A PNMCE prevê um fundo garantidor para estimular projetos e crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento de minérios no país. Lula destacou que a medida trata a exploração de minerais críticos como questão de soberania, com o objetivo de compartilhar o potencial do Brasil “com quem queira fazer investimentos”. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado.
O que são terras raras?
Terras raras são 17 elementos metálicos da tabela periódica, incluindo escândio, ítrio e os lantanídeos. Esses minerais são considerados críticos por serem essenciais para a indústria de tecnologia e defesa, sendo usados em caças, submarinos, lasers, satélites e mísseis. Eles estão no centro da guerra comercial e da disputa por hegemonia entre China e Estados Unidos, que tem capacidade de processamento limitada e busca alternativas para reduzir a dependência das importações chinesas.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 25% dos depósitos conhecidos, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Apesar da sinalização a Trump, Lula reiterou que o Brasil sempre defenderá a soberania na exploração dos minerais estratégicos. Ele também afirmou não ter “preferência por ninguém” e estar aberto a propostas de outros países. “Não temos veto, preferência por ninguém, pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, concluiu.



