Kremlin reforça segurança de Putin com medo de golpe e assassinatos
Kremlin reforça segurança de Putin com medo de golpe

O Kremlin elevou de forma significativa a segurança pessoal do presidente russo, Vladimir Putin, e de seus assessores mais próximos, conforme informou a emissora americana CNN nesta segunda-feira, 4, com base em um relatório de inteligência recente. As medidas adotadas por Moscou são uma resposta direta ao aumento dos temores de um golpe de Estado, intensificados pela percepção dos efeitos da guerra na Ucrânia e por uma onda de atentados contra autoridades militares e políticas, operações ligadas direta ou indiretamente a Kiev.

De acordo com o documento produzido por uma agência de inteligência europeia, ao qual a CNN teve acesso, o governo russo implementou diversas precauções extras para garantir a proteção de Putin. O líder russo deixou de frequentar suas residências em Moscou e Valdai, passando a maior parte do tempo em bunkers fortificados, muitos deles localizados em Krasnodar, perto do Mar Negro. As casas de assessores próximos ao presidente também receberam sistemas de vigilância reforçados, enquanto cozinheiros, fotógrafos e guarda-costas foram proibidos de usar qualquer tipo de transporte público. Todos os que trabalham junto ao chefe do Kremlin só podem utilizar telefones sem acesso à internet, e os visitantes passam por duas revistas antes de chegar ao mandatário.

Assassinato de general acirra disputas internas

Grande parte dessas medidas entrou em vigor nos últimos meses, como consequência direta do assassinato de um general de alta patente em dezembro. Na ocasião, Fanil Saranov, chefe do departamento de treinamento operacional das Forças Armadas russas, morreu na explosão de um carro-bomba no sul de Moscou, provavelmente resultado de uma ação ucraniana. O episódio gerou debates acalorados nas altas esferas do poder, com trocas de acusações entre membros do Exército e do Serviço Federal de Segurança (FSB). Em uma reunião em 25 de dezembro, o chefe do Estado-Maior, Valery Gerasimov, afirmou que o diretor do FSB, Alexander Bortnikov, não protegia adequadamente os comandantes militares. Bortnikov, por sua vez, reclamou da falta de recursos e pessoal para realizar seu trabalho.

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A instabilidade provocada pela morte de Saranov e de outros oficiais de alta patente tem preocupado o Kremlin. Somado aos crescentes sinais de problemas na linha de frente durante a guerra na Ucrânia, o cenário tem gerado inquietação na administração. Estima-se que as baixas russas cheguem a cerca de 30 mil mortos e feridos por mês, e os repetidos ataques de drones ucranianos a cidades russas têm incomodado até mesmo moradores de Moscou.

Putin teme golpe e desconfia de aliados

Se antes o conflito não afetava o cotidiano de grande parte da população russa, a situação mudou. Os custos econômicos da guerra atingiram a elite urbana, aumentando sua insatisfação com Putin. Como resultado, o presidente tornou-se cada vez mais receoso ao lidar com sua própria cúpula política, temendo especialmente a possibilidade de um ataque com drones. Informações do relatório indicam que o maior temor está relacionado ao ex-ministro da Defesa Sergei Shoigu, um antigo confidente de Putin. Segundo o documento, ele "está associado ao risco de um golpe de Estado, pois mantém influência significativa no alto comando militar". A prisão recente de um aliado de Shoigu, Ruslan Tsalkov, é interpretada como uma tentativa de enfraquecer o agora rival do presidente russo, além de ser uma "violação dos acordos tácitos de proteção entre as elites".

Putin não é estranho a tentativas de golpe. Em junho de 2023, ele sobreviveu a uma malfadada marcha sobre Moscou liderada pelo mercenário Yevgeny Prigozhin, então chefe do Grupo Wagner. A iniciativa foi encerrada pelo próprio Prigozhin, que morreu em um acidente de avião meses depois.

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