Um jato de combate russo Su-27 quase colidiu com um avião espião da Força Aérea Real (RAF) do Reino Unido sobre o Mar Negro, em um incidente classificado como "perigoso e inaceitável" pelo secretário da Defesa britânico, John Healey. O caso ocorreu no mês passado, quando a aeronave britânica, um RC-135W Rivet Joint, realizava uma missão de vigilância em espaço aéreo internacional.
Manobras arriscadas
De acordo com Healey, o caça russo realizou seis passagens rasantes em frente ao avião da RAF, que é desarmado e transportava uma tripulação de até 30 pessoas. Em um dos momentos, o Su-27 voou tão perto que acionou sistemas de emergência da aeronave britânica, incluindo a desativação do piloto automático. "Este incidente é mais um exemplo de comportamento perigoso e inaceitável por parte de pilotos russos", afirmou o secretário, acrescentando que as ações criam "sério risco de acidentes e de possível escalada do conflito".
Contexto de tensão
O incidente ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Otan e a Rússia, especialmente após a intensificação de ataques aéreos ucranianos contra território russo. O Rivet Joint, capaz de realizar vigilâncias eletrônicas em um alcance de cerca de 240 quilômetros, monitorava a atividade russa em uma patrulha da aliança militar ocidental.
Healey revelou ainda que, no mês passado, o Reino Unido rastreou três submarinos russos que permaneceram sobre infraestruturas submarinas críticas no Atlântico Norte por um mês. Os eventos refletem a escalada de tensões na Europa, com violações de espaço aéreo e incidentes envolvendo drones.
Reações e desdobramentos
Na terça-feira, 19 de maio, um jato da Otan abateu um drone sobre a Estônia, que autoridades acreditam ser ucraniano. A Letônia também emitiu alertas de drones, e caças da Polícia Aérea da Otan no Báltico foram acionados. Desde março, drones ucranianos invadiram o espaço aéreo de países membros da Otan, como Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia, gerando insatisfação popular que levou à renúncia do governo letão na semana passada.
Healey enfatizou que o incidente não dissuadirá o compromisso do Reino Unido em defender a Otan e seus aliados da agressão russa. "Deixem-me ser bem claro: este incidente não irá dissuadir o compromisso do Reino Unido", declarou.



