Israel aprova projeto para dissolver parlamento e convocar novas eleições
Parlamentares israelenses votaram por unanimidade (110 a 0) nesta quarta-feira, 20, a favor de um projeto de lei preliminar para dissolver o Knesset, o parlamento de Israel, abrindo caminho para eleições antecipadas. A medida, apoiada tanto pelo governo de Benjamin Netanyahu quanto pela oposição, reflete o crescente racha interno na coalizão governista, impulsionado por tensões sobre o alistamento militar e a gestão pós-7 de outubro.
Detalhes da votação e cronograma
O projeto de lei não especifica uma data para as eleições, e o cronograma para sua aprovação final permanece incerto. A votação popular, no entanto, precisa ocorrer dentro de cinco meses após a legislação passar no Knesset, ou seja, no máximo até o final de outubro. A medida foi desencadeada por um racha interno na coalizão de Netanyahu, mas também foi bem recebida pela oposição.
Reações da oposição
A deputada Merav Ben Ari, do centrista Yesh Atid (Há um Futuro), entoou no plenário uma bênção judaica recitada em ocasiões festivas. Já o presidente do Partido Democrata, Yair Golan (esquerda), afirmou que este é “o começo do fim do pior governo da história de Israel”, referindo-se à gestão de Netanyahu e sua coalizão de extrema direita ultrarreligiosa. “O governo que causou danos sem precedentes está chegando ao fim de sua trajetória. Estas eleições são sobre o 7 de outubro”, declarou Golan, em referência ao ataque do Hamas que matou 1.200 pessoas e levou 250 reféns.
Justificativa da coalizão
A coalizão de Netanyahu defendeu ter cumprido seu propósito. “Aprovamos nove orçamentos neste mandato e 520 leis. Em relação à lei do alistamento militar, aprovaremos uma lei que seja fruto do diálogo e que atenda às necessidades das Forças de Defesa de Israel”, declarou o líder da coalizão, Ofir Katz.
Racha interno e múltiplos projetos
A votação ocorreu após antigos aliados de Netanyahu do partido Judaísmo Unido da Torá anunciarem que se juntariam à oposição nos pedidos pela dissolução do Knesset, devido ao fracasso do governo em aprovar uma lei que codificasse as isenções do alistamento militar para estudantes ultraortodoxos. Em resposta, Ofir Katz apresentou um projeto de lei próprio exigindo novas eleições, que recebeu apoio dos partidos ultraortodoxos da direita. Medidas semelhantes foram apresentadas pela oposição, totalizando treze projetos distintos, que provavelmente serão amalgamados antes das três votações necessárias.
Cenário eleitoral e pesquisas
Apesar da popularidade de Netanyahu ter se beneficiado da guerra ao Irã — cerca de 8 a cada 10 israelenses apoiam a operação militar —, 42% dos eleitores do Likud na eleição anterior consideram ou já decidiram apoiar um partido diferente, segundo pesquisa do Canal 12. O levantamento indica que, se as eleições fossem hoje, os partidos anti-Netanyahu conquistariam 59 cadeiras, duas a menos que o necessário para maioria. A coalizão atual receberia 51 cadeiras, e os partidos árabes, 10.



