O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu apenas ferimentos considerados “superficiais” durante o ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel que marcou o início da guerra, em 28 de fevereiro. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Ministério da Saúde do país, Hussein Kermanpur, nesta segunda-feira, 25 de maio.
Contexto do ataque e estado de saúde
No bombardeio, o então líder supremo Ali Khamenei, pai de Mojtaba, morreu. Desde a operação militar, o aiatolá de 56 anos não apareceu em público, o que gerou suspeitas de que seu estado de saúde seria grave. Em março, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, chegou a afirmar que Mojtaba estava “vivo, ferido e desfigurado”.
No entanto, Kermanpur negou que houvesse algo grave. Segundo ele, na madrugada de 28 de fevereiro, o líder foi encaminhado ao hospital e “entrou na sala de cirurgia junto com outros feridos”, recebendo alta apenas em 1º de março. “Além de lesões superficiais no rosto, na cabeça e nas pernas, que não causaram amputações nem qualquer problema médico significativo, nada grave ocorreu”, declarou à agência de notícias ILNA. “Do meu ponto de vista como médico, não foram considerados danos graves e não exigiram procedimentos especiais, além de um ou dois pontos de sutura.”
Negociações de paz em andamento
Pressionadas pelo governo de Donald Trump, as autoridades iranianas buscam firmar um acordo de paz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o principal negociador do país estiveram em Doha para discutir um cessar-fogo com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani, conforme informou um funcionário à agência Reuters.
As conversas concentraram-se em dois pontos principais: o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, e o estoque de urânio enriquecido de Teerã. A questão nuclear é um aspecto-chave das negociações. De um lado, os EUA rejeitam que o regime iraniano mantenha a reserva e a possibilidade de produzir armas nucleares; do outro, o Irã nega ter esse objetivo e rejeita que o material seja enviado para o exterior.
O funcionário também afirmou à Reuters que o chefe do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, fez parte da delegação para debater a possível liberação de fundos congelados do país, uma das demandas inflexíveis das propostas de paz iranianas. Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que foi possível alcançar conclusões em vários tópicos, mas que o avanço não significa que o regime está “perto de assinar um acordo”.



