O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a criação de um novo órgão destinado a administrar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A medida ocorre em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que desencadearam a guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro. O novo organismo, ainda com funções não totalmente definidas, deverá aprovar o trânsito de navios e arrecadar taxas de direito de passagem, conforme informações da publicação especializada Lloyd’s List. A ideia é cobrar um pedágio para a navegação na região.
Detalhes do novo sistema
Em seu perfil oficial no X (antigo Twitter), o Conselho Supremo de Segurança Nacional compartilhou uma publicação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), na qual afirma que fornecerá “informações em tempo real sobre as operações” na passagem marítima. A conta da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, força ideológica paralela ao Exército iraniano, também replicou a mesma publicação. No último sábado, 16 de maio, Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, já havia adiantado que o país elaborou um mecanismo para regular o tráfego marítimo através de uma rota designada em Ormuz. Segundo ele, serão cobradas taxas “pelos serviços especializados” prestados no âmbito do sistema. “Nesse processo, apenas embarcações comerciais e partes que cooperam com o Irã se beneficiarão”, escreveu Azizi no X.
Implicações geopolíticas
O controle do Estreito de Ormuz é um ponto crítico nas relações internacionais. No início de maio, a emissora iraniana Press TV afirmou que o novo órgão representa um “sistema para exercer a soberania” do Irã sobre a região, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. O fechamento do estreito, ocorrido durante a guerra, provocou a mais grave crise de fornecimento de combustíveis da história, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, mas o controle iraniano sobre a passagem tem complicado as negociações para um acordo de paz permanente.
Os Estados Unidos, por sua vez, implementaram seu próprio bloqueio naval a portos iranianos há um mês e defendem que Ormuz seja um canal totalmente livre para a navegação. Desde o início do conflito, Teerã tem sugerido repetidamente que o tráfego na região “não voltará à situação anterior à guerra”. No mês passado, autoridades iranianas declararam ter recebido os primeiros pagamentos de pedágio, alguns estipulados em US$ 2 milhões, segundo a imprensa internacional.
Reações e perspectivas
A criação do novo organismo iraniano já gerou reações negativas dos Estados Unidos e de seus aliados, que rejeitam qualquer controle unilateral sobre a navegação no estreito. A medida aumenta as tensões em uma região já instável, com potenciais impactos no mercado global de petróleo e na segurança energética mundial. Enquanto isso, o Irã segue firme em sua estratégia de usar o controle do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão geopolítica, desafiando as potências ocidentais e buscando consolidar sua influência no Oriente Médio.



