O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo entre os dois países, após ataques realizados pelas forças americanas no sul do país. Em um comunicado divulgado nesta terça-feira (26), horas após o Comando Central das Forças Armadas dos EUA anunciarem ações que foram classificadas como autodefesa na província de Hormozgan, Teerã criticou o governo norte-americano: "Os Estados Unidos cometeram uma grave violação do cessar-fogo na região de Hormozgan nas últimas 48 horas... O Irã responsabiliza o regime dos EUA por todas as consequências resultantes dessas ações agressivas e injustificadas".
Reação da Guarda Revolucionária
Antes do ministério, a Guarda Revolucionária do Irã já havia se pronunciado na mídia estatal: disse que se reserva o direito "legítimo e definitivo" de retaliar qualquer violação do cessar-fogo. Também informou que suas unidades de defesa aérea abateram um drone MQ-9 americano e dispararam contra um caça que havia entrado no espaço aéreo iraniano.
Declaração do líder supremo
Em mensagem em seu canal no Telegram, nesta terça, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, disse: "Não há como voltar atrás, e as nações e terras da região não serão mais um escudo para as bases americanas. A partir de agora, os slogans 'Morte à América' e 'Morte a Israel' serão os slogans da nação islâmica e dos povos oprimidos do mundo, especialmente os jovens".
Negociações no Catar
As forças americanas e iranianas mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto, no plano diplomático, as negociações prosseguem. O ataque ocorre num momento em que negociadores dos dois países estão trabalhando em um acordo para colocar um fim definitivo à guerra, iniciada no fim de fevereiro. O principal negociador do Irã, Mohammad Baqr Qalibaf, o chanceler do país e o governador do Banco Central iraniano estiveram em Doha nesta segunda-feira (25) para conversas com o primeiro-ministro do Catar sobre um possível acordo.
Fundo congelado
De acordo com reportagem da agência de notícias iraniana Tasnim, o objetivo da delegação é conseguir a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em fundos iranianos congelados no exterior. A agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, diz que o desbloqueio dos fundos é o último grande obstáculo para a finalização do memorando de entendimento.
Contexto da guerra
Acordo de paz EUA e Irã haviam sinalizado avanços em um acordo definitivo de paz nos últimos dias. Apesar disso, nesta segunda, Teerã disse que as partes ainda não estavam próximas de alcançar um consenso para acabar com a guerra no Oriente Médio, após um fim de semana de mensagens contraditórias dos dois países. A guerra, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro, provocou o fechamento, na prática, do Estreito de Ormuz, bombardeios do Irã contra outros países da região e o aumento dos preços da energia.
Declarações de Trump
No sábado (23), Trump disse achar que o acordo estava perto de ser concluído — horas depois, afirmou também que iria "explodi-los [os iranianos] em mil infernos" caso as duas partes não chegassem a um consenso até este domingo. Os preços do petróleo registraram queda expressiva após uma onda de otimismo com um possível acordo, depois que o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, sugeriu que um acordo poderia ser iminente, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu que isso "é algo que ninguém pode sustentar".



