Surto de hantavírus em cruzeiro provoca mortes e tensão diplomática
Um surto causado por uma cepa rara do hantavírus, transmitida entre humanos, atingiu um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico, resultando em mortes, embates diplomáticos e uma crise sanitária acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O navio MV Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, e originalmente deveria terminar em Cabo Verde.
Neste domingo (10), passageiros do MV Hondius começaram a desembarcar nas Ilhas Canárias, na Espanha, a partir das 4h no horário de Brasília (8h no horário local). Horas antes da operação, o governo local afirmou que não autorizaria a ancoragem do cruzeiro. Mesmo após a resistência, a Espanha determinou o desembarque no local, por motivos de segurança marítima e necessidade de assistência sanitária a bordo.
Após mais de um mês de viagem desde a saída de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, todos os passageiros e parte da tripulação deverão ser retirados do navio e encaminhados diretamente para voos de repatriação, segundo a operadora Oceanwide Expeditions. A Unidade Militar de Emergências da Espanha (UME) é responsável por levar os passageiros ao aeroporto de Tenerife-Sul, nas Ilhas Canárias. De acordo com a imprensa espanhola, o governo espanhol recorreu aos militares após a recusa de empresas locais em fazer o traslado.
Linha do tempo da crise
Duas pessoas morreram a bordo e uma após deixar o cruzeiro. A OMS confirmou infecções por hantavírus entre passageiros. Autoridades confirmam que a cepa andina do hantavírus, que é transmissível entre humanos, foi identificada nos passageiros.
Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores infectados e podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas. A cepa identificada no navio é considerada 'pouco comum' por ter transmissão entre humanos.
Reações e medidas
A crise gerou tensão diplomática entre os países envolvidos. Passageiros relataram que as autoridades não levaram o problema a sério o suficiente. A operadora Oceanwide Expeditions afirmou que está cooperando com as autoridades sanitárias e que todos os protocolos de segurança estão sendo seguidos.
O desembarque nas Ilhas Canárias foi autorizado após a Espanha considerar a segurança marítima e a necessidade de assistência sanitária. A UME está coordenando o traslado dos passageiros para voos de repatriação.



