Marcha do Dia de Jerusalém: gritos de 'morte aos árabes' e 'Gaza é um cemitério'
Gritos de ódio marcam marcha do Dia de Jerusalém

Nacionalistas israelenses ecoaram cânticos e gritos de “morte aos árabes” e “Gaza é um cemitério” durante a marcha anual para comemorar o Dia de Jerusalém, um evento que desencadeou 11 dias de guerra entre Israel e Hamas em 2021. A data marca a captura e ocupação da metade oriental de Jerusalém, incluindo espaços sagrados, na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Contexto da marcha

O desfile eleva as tensões, já que os participantes costumam engatar em discursos anti-árabes e em atos de vandalismo contra propriedades de palestinos que moram na região. A marcha percorre o bairro muçulmano, do Portão de Damasco rumo ao Muro das Lamentações. No trajeto, israelenses costumam agitar a bandeira azul-branca do país.

Reação dos palestinos

Em meio ao cenário de hostilidade, a maioria dos palestinos costuma fechar suas lojas e voltar para casa antes do início do evento, no pôr do sol de quinta-feira. No entanto, cenas de violência são comuns. Grupos judaicos de extrema direita invadiram um estabelecimento e atiraram cadeiras contra palestinos, que reagiram, até serem separados pela polícia.

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Grupo de proteção

Após parte dos palestinos deixar a Cidade Velha para o evento, o foco das tensões foi para o Standing Together, um grupo judaico que protege os moradores restantes da violência política. Suf Patishi, um dos organizadores, disse ao jornal britânico The Guardian que, neste ano, o número de voluntários atingiu o recorde, com 400 pessoas vestindo coletes roxos de alta visibilidade.

“Queríamos realmente cobrir cada canto da cidade para garantir que preveníssemos ataques contra palestinos”, afirmou ele. “Sim, é perigoso para nós, mas nada comparado ao perigo para os palestinos que vivem aqui.”

Críticas internas

Os gritos de ameaças, que incluem “que suas aldeias queimem”, foram criticados por alguns israelenses. Um judeu ultraortodoxo identificado apenas como David disse que ficou “horrorizado com o comportamento violento das pessoas” e acrescentou: “Sou um homem de fé, religioso, e eles estão fazendo isso em nosso nome, e senti que deveria fazer algo para contrariar isso. Isso é uma profanação do nome de Deus, então a única maneira de remediar isso é fazer o oposto, um Kiddush Hashem, uma santificação do nome de Deus.”

Ação do ministro

Enquanto isso, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, empunhava uma bandeira de Israel em frente à mesquita de Al-Aqsa, o local islâmico mais sagrado da cidade, em desrespeito aos muçulmanos. No X, antigo Twitter, ele comemorou o feito: “59 anos após a libertação de Jerusalém, hasteei a bandeira israelense no Monte do Templo e podemos dizer com orgulho: devolvemos a governança ao Monte do Templo”, escreveu.

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