Trump cria fundo bilionário para indenizar invasores do Capitólio
Fundo bilionário de Trump para invasores do Capitólio

Em um caso emblemático onde algozes se transformam em vítimas, os simpatizantes de Donald Trump que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021 poderão ser indenizados pela tentativa de motim, com dinheiro do contribuinte. O fundo de US$ 1,776 bilhão para ressarcir os que se dizem prejudicados pelos processos judiciais reforça a obsessão do presidente americano de reescrever a história do maior ataque à democracia dos Estados Unidos.

Contexto do ataque

Naquele dia, o presidente derrotado incitou uma mobilização para impedir a certificação do presidente eleito Joe Biden e reverter o resultado da eleição. O resultado foi trágico: cinco policiais foram mortos tentando conter a violenta ação de uma multidão dentro do Congresso. Quatro anos depois, no primeiro dia de seu segundo mandato, Trump anistiou mais de mil pessoas acusadas no ataque e comutou as penas de todos os condenados por crimes violentos no Capitólio.

Reescrita da história

Essa foi a primeira tentativa de inocentar os responsáveis por saques, depredações e perseguições a congressistas e ao então vice-presidente Mike Pence. Outras iniciativas incluíram a criação de um site no domínio oficial da Casa Branca que falsamente corrobora a versão de que a invasão foi um "protesto pacífico de patriotas" contra eleições fraudadas.

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O fundo bilionário

Com a criação do fundo, anunciado na segunda-feira, Trump manifestou interesse em compensar "o período terrível" que se seguiu ao 6 de janeiro para os que ele chama de perseguidos políticos do governo Biden. "É uma forma de reembolsar as pessoas que foram tratadas de forma horrível. Elas estão sendo reembolsadas de honorários de advogados e outras coisas que tiveram que suportar", justificou Trump, que supervisionará um conselho de cinco membros do Departamento de Justiça responsável pela destinação da verba.

Beneficiados e críticas

Os beneficiados são, em boa parte, aliados do movimento MAGA, que sustenta politicamente o presidente. O procurador-geral interino Todd Blanche sugeriu ironicamente em audiência no Senado que o fundo também poderia ser destinado a oponentes. "Não há limitação para as reivindicações", afirmou. Em meio a guerras no Oriente Médio e alta do custo de vida, a repercussão foi negativa entre democratas e também em fileiras republicanas. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, divergiu: "Não sou um grande fã. E não tenho certeza exatamente de como eles pretendem usá-lo".

Origem do fundo

A criação do fundo de compensação mobiliza a base eleitoral, mas é arriscada para Trump, que amarga queda de popularidade. O plano é resultado de uma ação judicial de US$ 10 bilhões movida pelo presidente e seus filhos contra a Receita Federal (IRS) pelo vazamento de declarações de imposto de renda. Um acordo extrajudicial estabelece imunidade a Trump e filhos contra auditorias fiscais em andamento. Em troca, o Departamento de Justiça reservou o fundo bilionário. O valor estipulado teve critério simbólico: 1776, ano da independência dos EUA.

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