O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira, 18, que o país admitirá até 17.500 sul-africanos brancos como refugiados até o fim do ano fiscal, em setembro. O plano foi detalhado em um comunicado enviado ao Congresso americano, obtido pela agência Associated Press. O número representa um aumento significativo em relação à promessa inicial do governo de Donald Trump, que era de 7.500 vagas.
Emergência para refugiados
Segundo a declaração, a mudança ocorreu devido a “desenvolvimentos imprevistos” que “criaram uma situação de emergência para refugiados” na África do Sul. Por lei, o governo americano é obrigado a informar e consultar os legisladores sobre os níveis de refugiados anuais. Um assessor parlamentar, sob condição de anonimato, disse à Associated Press que funcionários da Casa Branca devem se reunir com o Congresso nesta semana para discutir o assunto. A ampliação do reassentamento custará cerca de 100 milhões de dólares (mais de R$ 504 milhões).
Alegações de discriminação
No documento, o Departamento de Estado mencionou que a “crescente hostilidade” no país aumenta “os riscos para os africânderes na África do Sul, que já são alvo de discriminação racial generalizada patrocinada pelo governo”. Desde que retornou ao poder, em janeiro do ano passado, Trump passou a alegar que os africâneres — grupo de sul-africanos descendentes, no geral, de colonos holandeses — enfrentam um “genocídio branco”.
Tensão diplomática
A situação escalou durante uma visita do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, à Casa Branca em maio de 2025. Na ocasião, o líder americano exibiu, em uma televisão na Sala Oval, uma montagem de vídeos que supostamente comprovaria a perseguição. Ramaphosa negou as acusações. Os embates entre os presidentes foram impulsionados por uma lei sul-africana de desapropriação de terras, promulgada no início do ano passado. A desapropriação é considerada legítima no país desde 1975. As novas regras representavam, na verdade, uma atualização do texto de 50 anos, que permite que terrenos recebam funções públicas — mecanismo semelhante ao de domínio eminente nos EUA. A versão reformulada abriu possibilidade de que os donos de terrenos não recebam compensações desde que o governo avalie que o local foi abandonado ou usado para especulação. Trata-se, no entanto, de um cenário raro. Ainda assim, a Casa Branca criticou a legislação, classificando-a como “um desprezo chocante pelos direitos dos cidadãos” e acusando-a de fomentar “violência desproporcional contra proprietários de terras racialmente desfavorecidos”.



