EUA devem acusar Raúl Castro por derrubada de aviões em 1996
EUA acusarão Raúl Castro por derrubada de aviões

O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, deve ser formalmente acusado pelos Estados Unidos por um incidente ocorrido há três décadas: a derrubada de duas aeronaves civis em fevereiro de 1996. O caso é considerado um dos momentos mais delicados da relação entre Washington e Havana e aconteceu quando Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba, sob o comando de seu irmão, Fidel Castro (1926-2016).

O incidente de 1996

As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (Irmãos ao Resgate), formado por exilados cubanos anticastristas residentes nos Estados Unidos. Os quatro ocupantes morreram, sendo três deles cidadãos americanos. O episódio gerou forte reação internacional e aprofundou a já tensa relação entre os dois países.

Trajetória de Raúl Castro

Raúl Modesto Castro Ruz, que completará 95 anos em 3 de junho, foi um dos guerrilheiros que lutou ao lado de Fidel Castro e Che Guevara na Sierra Maestra em 1958. O grupo derrubou o ditador Fulgencio Batista em 1º de janeiro de 1959 e estabeleceu um regime socialista na ilha. Apesar de ser um dos mais jovens do grupo, Raúl tomou decisões difíceis, incluindo ordens de execução de agentes da ditadura após a fuga de Batista.

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Como ministro da Defesa por 50 anos, ele enviou centenas de milhares de militares para lutar pela independência de Angola e de outros países africanos nas décadas de 1970 e 1980, no maior destacamento de Forças Armadas de um país latino-americano fora da região.

Por décadas, Raúl permaneceu à sombra de Fidel. Quando seu irmão adoeceu em 2006 e lhe cedeu o poder, Raúl, acostumado a atuar nos bastidores, assumiu o centro das atenções. Conduziu a ditadura cubana até se aposentar em 2021, aos 89 anos, entregando o cargo a Miguel Díaz-Canel, atual líder do regime.

Uma vez no poder, segundo Michael Shifter, presidente do think tank Diálogo Interamericano, em análise à agência AFP, Raúl nunca tentou imitar a personalidade do irmão, construindo sua própria liderança, mais racional e pragmática. Após assumir oficialmente a Presidência em 2008, suspendeu restrições a viagens de cubanos ao exterior, libertou alguns opositores e empreendeu reformas econômicas, como a permissão para venda de casas e o crescimento do setor privado com pequenos negócios. Em 2014, surpreendeu o mundo ao anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com os EUA, levando a um degelo que durou até 2016, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Pressão sobre Cuba

Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o governo cubano para que implemente reformas profundas em seu sistema econômico e regime político. O governo em Havana rejeita as exigências, invocando a soberania nacional. Para aumentar a pressão, Washington impôs um embargo petrolífero que agravou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso se somou a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente Donald Trump, ampliando as sanções econômicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas. Especialistas consideram plausível uma agressão militar dos EUA contra a ilha, após os acontecimentos na Venezuela e no Irã, e o próprio Trump já declarou que Cuba é a próxima.

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