O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador eliminou, no domingo 26, dois partidos de oposição, gerando forte reação das legendas, que classificaram a medida como “fraude” e “perseguição política” em favor do governo conservador do presidente Daniel Noboa. A decisão ocorre a sete meses das eleições locais no país.
Decisão do CNE e reações
Em comunicado oficial, o CNE alegou que os partidos Construye e Unidade Popular “não cumpriram requisitos para manter” seu status legal. As legendas afetadas anunciaram que pretendem recorrer da decisão e acusaram o órgão eleitoral de atuar a favor do partido governista, Ação Democrática Nacional.
“Os membros do CNE são ativistas do governo Noboa”, disparou Geovanni Atarihuana, líder do Unidade Popular, em entrevista à rádio equatoriana MQ. A oposição denuncia uma perseguição política orquestrada pelo Executivo para enfraquecer adversários antes das eleições.
Antecedentes de críticas ao CNE
Não é a primeira vez que o CNE é alvo de críticas. Em novembro do ano passado, o órgão já havia inabilitado por nove meses o movimento de esquerda Revolução Cidadã, próximo ao ex-presidente esquerdista Rafael Correa (2007-2017), devido a uma investigação do Ministério Público. A restrição foi condenada por outros partidos políticos e organismos, como o Centro de Pesquisa em Economia e Política.
Contexto político e econômico
Noboa, no poder desde 2023, culpa Correa — exilado e condenado por corrupção — por muitos dos problemas do país, que enfrenta uma onda de violência e crise econômica. O político direitista governa com uma agenda linha dura contra o crime. A eliminação dos partidos de oposição é vista por analistas como mais um capítulo na polarização política equatoriana.



